Setor cafeeiro capixaba está à beira de um colapso, afirmam entidades da classe

A crise no setor cafeeiro, que tem preocupado os sindicatos rurais e produtores de todo o Espírito Santo, será um dos principais temas do 1º Encontro das Lideranças do Agro com a Política Capixaba, que será realizado no próximo dia 24, no Centro de Convenções de Vitória.

O evento irá reunir produtores e sindicatos rurais, entidades ligadas ao setor da agricultura e lideranças políticas do Estado. O Espírito Santo, que é o segundo maior produtor de café do Brasil e o maior produtor de café conilon do País, está atravessando uma das maiores crises da história, que foi agravada pela maior estiagem dos últimos 50 anos. A atual conjuntura está refletindo nos produtores que passam por dificuldades com o baixo preço da safra do café.

O município de Linhares, considerado o maior produtor de café conilon do Estado e o terceiro maior do Brasil, a crise tem sido sentida com maior intensidade. Segundo o presidente do Sindicato Rural da cidade, Antônio Roberte Bourguignon, a cafeicultura vive um momento de preços não competitivos e está cada vez mais difícil para os produtores sobreviverem com este tipo de cultura.

“Acredito que a cafeicultura vive um momento delicado, com preços não competitivos, ressaltando que essa é a cultura número um do Espírito Santo. Mesmo para Linhares, que possui um reservatório hídrico muito grande, com cerca de 84% da água doce do Estado, está difícil de sobreviver com esse preço baixo do café”, explica Antônio.

 

O presidente acredita que o encontro será o momento de colocar a insatisfação dos produtores com o preço praticado e uma ótima oportunidade de mostrar para o meio político que a cafeicultura é importante para o Espírito Santo, para os municípios, para o Brasil, reafirmando que é o diferencial para a exportação, gerando dividendos para o Estado, para os municípios e para a União.

“Sabemos da demanda de oferta e procura, e que os produtores sofrem com tudo e todos: política partidária, política idealista e falta de crédito. Quando falamos do café, falamos de uma dor muito triste que foi a estiagem prolongada que o ES teve, a maior nos últimos 50 anos. Então acredito que tudo isso contribui para esse momento difícil, é claro que o café a R$ 280,00 remunera muito pouco. A gente sabe que esse preço, para muitos, deixa alguns reais de remuneração, mas para outros deixa no vermelho”, afirma o presidente.

De acordo com o sindicalista, é preciso que o governo ajude neste momento de crise, conscientizando para que se alongue o prazo das dívidas dos produtores, com juros coerentes com a produção e valor que tem sido vendido o café. Essa seria a forma para melhorar e até sair desta situação, explica.

“Precisamos estar reunidos, juntos, não lamentando, mas fazendo todos verem que a gente precisa ser melhor remunerado para não entramos em depressão, pois conhecemos relatos de produtores que venderam suas propriedades, que estão endividados. Produtores que sempre honraram com seus compromissos e que querem pagar o que devem. A gente sabe que o produtor é um homem honesto. A coisa mais triste para um produtor é dizer que ele não consegue pagar alguém”, lamenta Bourguignon.

Região Serrana

O plantio de café é a principal atividade agrícola do Espírito Santo, aproximadamente 131 mil famílias de todas as cidades (exceto Vitória) se dedicam a esse ramo do agronegócio.

O presidente do Sindicato Rural de Domingos Martins e Marechal Floriano e vice-presidente da Federação da Agricultura do Espírito Santo, Flávio Wruck, relata que este momento é oportuno para que possa ser debatido junto às lideranças políticas, além de colocar para eles que os produtores chegaram a um limite.

Setor cafeeiro capixaba está à beira de um colapso afirmam entidades da classeFlávio Wruck afirma que caso não haja uma solução palpável, a situação pode se transformar em caos, com reflexos tanto de impacto social e econômico, podendo atingir toda a cadeia produtiva, inclusive o comércio.

“A grande parte dos nossos municípios tem como sua base econômica o setor do agronegócio, não só dos municípios. Nossa balança comercial é ponderada através do setor do agronegócio. Então esse momento é oportuno para que a gente possa debater e demonstrar as nossas autoridades a situação atual do nosso setor”, destaca Flávio.

O presidente destaca que o 1º Encontro das Lideranças do Agro com a Política Capixaba será o momento oportuno para debater a situação econômica que se encontra o setor produtivo.

“Com essa oscilação de mercado e a crise econômica que vivemos nos últimos anos, passamos por momentos críticos, onde continuou-se produzindo, mas devido as variações econômicas, o produtor se descapitalizou. O endividamento, hoje, é uma realidade para grande parte dos produtores. O nosso produtor está sofrendo, é um apaixonado pelo que ele faz, mas precisamos buscar soluções palpáveis, deixar o discurso de lado e realmente arregaçar as mangas e buscar uma solução!”, conclui Wruck.