Moradores denunciam risco de queda em ponte em Domingos Martins
Publicado em 11/04/2025 às 15:03

Texto: Bruno Caetano / Fotos: Divulgação
Moradores da vila conhecida como Capela Encontro das Águas, na zona rural de Domingos Martins, estão preocupados com as condições de uma ponte localizada sobre o Braço Norte do Rio Jucu. A estrutura, que liga a comunidade ao distrito de Santa Isabel, é considerada essencial para o deslocamento diário de dezenas de famílias, o escoamento da produção agrícola e o transporte escolar. Entretanto, relatos dos moradores apontam para um risco de desabamento.
De acordo com os moradores, a ponte tem apresentado desgaste acentuado, com madeiras soltas, pregos expostos e estrutura comprometida. Apesar dos alertas frequentes à administração municipal, até o momento, nenhuma intervenção prática foi realizada, o que tem gerado insatisfação entre os residentes da localidade.
A moradora Mônica Neves, mãe de aluno da rede pública, relata que há meses seu filho enfrenta dificuldades para ir à escola porque o transporte escolar deixou de passar pela ponte. Segundo ela, a prefeitura informou que o ônibus escolar foi impedido de atravessar a ponte por questões de segurança. “Agora somos nós, pais, que precisamos atravessar a ponte com nossos próprios veículos para levar as crianças até o ponto onde o ônibus pode pegar. Então, a nossa segurança não importa?”, questiona.
Ainda segundo ela, promessas de início de obras já foram feitas, mas até agora não foram cumpridas. “A prefeitura falou que ia começar a obra diversas vezes, mas até agora, nada”, afirma. Assista, abaixo, um vídeo feito por um morador, mostrando as precárias situações da ponte.
Para os moradores, a situação tem forçado mudanças na rotina e aumentado o tempo de deslocamento. “A passagem alternativa é passando por Panelas, por Campinho, para poder chegar a Santa Isabel. Dá uma volta de mais ou menos 20 quilômetros”, explica Mônica.
José Marques, morador há mais de 15 anos da região, reforça a gravidade da situação. “A ponte é primordial para o escoamento de produtos agrícolas e compra de material de construção. Há mais de quatro meses percebemos que a estrutura está irregular. As madeiras estão soltas e os pregos com mais de 15 centímetros aparecem. Evitamos passar com veículos pesados porque o risco de desabamento é diário”, alerta.
Segundo ele, a ponte é utilizada por famílias da localidade há mais de quatro décadas. “A prefeitura deveria ao menos restringir a passagem de veículos pesados ou interditar a ponte até que uma solução definitiva seja aplicada. Se passar uma caçamba carregada, por exemplo, é grande a chance de a estrutura não suportar”, acredita.

Obras devem iniciar na próxima semana
Diante das denúncias e da pressão dos moradores, a Prefeitura de Domingos Martins divulgou uma nota informando que “foi constatada a necessidade de substituição das vigas e pranchões de madeira, já desgastados pelo tempo, da ponte com 28 metros de comprimento”.
De acordo com o secretário municipal de Interior e Transporte, Ademiro Dettmann, de imediato, a Secretaria iniciou as providências. “No dia 4 de abril, foi feito o transporte de duas vigas de ferro, que tiveram seus cortes finalizados no dia 10 de abril. Já no dia 11, as vigas serão levadas até o local da obra, e no dia 14 de abril, começa a substituição das vigas de madeira por estruturas de ferro, aumentando a durabilidade e segurança da ponte”, afirma.
Ainda segundo a prefeitura, “a previsão é que o serviço dure cerca de três dias, devido à complexidade e aos cuidados necessários. E atenção, moradores da região: o acesso está garantido pela estrada das Panelas, que já foi patrolada e cascalhada para oferecer boas condições de tráfego”, informa a nota.
Apesar das informações oficiais, moradores continuam expressando insegurança e incerteza quanto à conclusão do serviço. Muitos cobram ações mais rápidas e efetivas para evitar acidentes. “A van escolar já estava fazendo barulho estranho ao passar. O tratorista da prefeitura se recusou a atravessar a ponte com o trator por medo de desabar. E mesmo assim, nada foi feito até agora”, relata um dos moradores que preferiu não se identificar.