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Estado, 25/11/2016

Seca afeta exportações de cooperativas capixabas

 

Foto: Bruno Faustino

 

Isaac Venturim, produtor café conilon,
em São Domingos do Norte, investiu em tecnologia
e conseguiu uma boa colheita, apesar da seca

Bruno Faustino

Nos últimos 15 anos, as exportações do agronegócio brasileiro renderam US$ 1,03 trilhão (R$ 3.512.300,00). Nada mal para um país que, há poucas décadas, era o centro de interesse dos exportadores de alimentos. O Brasil importava praticamente de tudo, à exceção de café.

Em 2016, o agronegócio representou 39% das exportações brasileiras, segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). De acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), nos dez primeiros meses do ano, a balança comercial brasileira acumulou superávit de US$ 62,11 bilhões. E o agronegócio tem a sua parcela de contribuição.

No Espírito Santo, o agronegócio tem grande participação na economia: cerca de 25% do PIB (Produto Interno Bruto, soma das riquezas produzidas no Estado) vem da agricultura. Quase todos os 78 municípios capixabas possuem a maior parte de sua mão de obra empregada no campo.

Apesar disso, os dados da Secretaria de Comércio Exterior (SECEX/MDIC), compilados pelo Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN) não são animadores. O Estado vem registrando quedas nas exportações. Em outubro, por exemplo, as variações foram de -25,22% em relação a setembro de 2016, -17,78% frente a outubro de 2015 e -38,16% no acumulado de janeiro a outubro de 2016, em relação ao mesmo período do ano anterior. Mas qual a explicação para estarmos vivendo essa situação? A seca. A estiagem prolongada afetou diretamente a produção agropecuária capixaba e, consequentemente, os produtos agrícolas exportados pelo Espírito Santo.

"Toda nossa produção rural foi prejudicada pela maior seca já registrada no Estado. São três anos sem chuvas regulares no Espírito Santo. Estamos tendo 60% das chuvas abaixo da média no Estado e isso provocou uma queda absurda da nossa produção", explica Octaciano Neto, secretário de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca.

Este ano, a crise hídrica causou um dano na agropecuária de R$ 3,6 bilhões. A redução na produção agrícola de 2015 para 2016, em comparação à safra de 2014, supera dois milhões de toneladas, o que representa queda de 30% de toda a produção do Espírito Santo.

"Nossa pauta de exportação é liderada, especialmente, por celulose, carne, café e pimenta do reino, sendo que o café e a pimenta do reino tiveram as maiores perdas", afirma o secretário. 



Café tem prejuízo de mais de R$ 2 bilhões

O café sempre foi um dos segmentos mais promissores para o Estado, com reflexos até para a economia nacional, tanto que mais de 25% da produção brasileira sai do Espírito Santo. A atividade é a maior geradora de empregos no Estado, com 400 mil postos por ano, e representa 40% do PIB agrícola capixaba.

Somente a produção de café conilon, tendo como base o ano de 2014, registrou uma queda de 40% na produção, se comparada com a projeção para 2016, e 23% a menos em relação a 2015. Em valores, nos últimos dois anos, a seca levou a perda de R$ 2,2 bilhões aos cafeicultores capixabas. 

Em meio ao cenário de apreensão, alguns agricultores conseguiram manter a produção sem acumular perdas. É o caso do produtor Isaac Venturim, 36 anos, de São Domingos do Norte, extremo noroeste capixaba. "Nós investimos em mudas de café conilon mais resistentes e também em tecnologias de melhor aproveitamento da água. Com isso, conseguimos minimizar os impactos da estiagem prolongada", conta o agricultor.

Numa área de 70 hectares, Isaac tem plantados 170 mil pés de café. E boa parte da produção é enviada para fora do Brasil. "Repasso o café para a Cooabriel (Cooperativa Agrária dos Cafeicultores de São Gabriel da Palha), e ela comercializa para empresas exportadoras. Estas, por sua vez, realizam a operação no mercado externo", conta o produtor.

Por não efetuar a exportação direta do café, a Cooabriel não tem como informar a quantidade exportada, mas sabe que o conilon produzido na região noroeste do Espírito Santo é apreciado em países da Europa, América do Norte e Ásia. "O nosso café vai para mercados da Rússia, Japão, Estados Unidos e Alemanha”, revela o gerente geral da Cooabriel, Edimilson Calegari.



Além da Cooperativa Agrária dos Cafeicultores de São Gabriel da Palha (Cooabriel), a Cooperativa Agropecuária Centro Serrana (Coopeavi) também envia o café capixaba para Coreia do Sul (Arábica Especial), Espanha (Conilon), EUA (Arábica Especial) e Turquia (Arábica Comum). O relatório de exportação do mês de setembro do Centro do Comércio de Café de Vitória (CCCV) revela que a cooperativa enviou 5.690 sacas de 60 Kg para fora do País, sendo 2.090 sacas de arábica e 3.600 sacas de conilon. 

Em 2015, segundo o Centro do Comércio de Café de Vitória (CCCV), o Estado exportou 2.030.056 sacas de café arábica, e 4.034.189 sacas de conilon. Para este ano, a tendência é de queda, principalmente por causa da seca que tem afetado a produção.

Pimenta do reino: produção cai 90%

Outro produto agropecuário do Espírito Santo exportado e afetado pela crise hídrica é a pimenta do reino. O Estado é o segundo maior produtor do Brasil, perde apenas para o Pará. Segundo dados da Secretaria de Estado da Agricultura, Abastecimento. Aquicultura e Pesca (SEAG), são quase 3 mil hectares de área plantada, a maior parte no Norte capixaba. Mas devido à falta de chuva, a produção, este ano, deve ser 90% menor.

"O fator climático dificultou a produção dos principais produtos agrícolas exportados pelo Espírito Santo. No caso da pimenta, a colheita prevista para agosto não se concretizou e só conseguiremos colher 10% do total plantado", revela o presidente da Cooperativa dos Produtores Agropecuários da Bacia do Cricaré (Coopbac), Erasmo Negris.

O processo de exportação da pimenta capixaba começou em 2015, mas foi efetivado este ano, apesar da seca. "Foram negociados quatro lotes e o montante exportado até o momento totalizou 71 toneladas. Os destinos foram a África do Sul e a União Europeia. Estamos negociando um quinto lote para embarque ainda em 2016, com previsão de exportar mais 15 toneladas", diz o presidente da Coopbac. 

O presidente da Associação Capixaba dos Exportadores de Pimentas e Especiarias, Rolando Martins, considera a safra de 2016 como a pior já vista no Espírito Santo. "Estamos vivendo uma catástrofe. Os exportadores estão com suas fábricas vazias, pagando empregados e sem faturar porque não têm o produto. A perspectiva é que tenhamos apenas em fevereiro de 2017 a pimenta para exportação", afirma. 

Macadâmia: de promessa à desilusão

O início da década de 90 marcava a chegada da macadâmia em terras capixabas. São Paulo sempre foi o principal produtor brasileiro da noz. O Espírito Santo era o segundo maior produtor nacional, até a estiagem prolongada paralisar a produção por aqui. Para se ter ideia da importância da macadâmia no Estado, os produtores criaram uma cooperativa para processar a noz. Quase 98% da produção do Estado era exportada. Os principais compradores: Estados Unidos e China. 

Mas, este ano, devido à falta da chuva, não teve processamento da macadâmia na Cooperativa Agroindustrial dos Produtores de Noz Macadâmia, localizada em São Mateus, no norte capixaba. O maquinário está parado. A esperança é que a safra de 2017 renda alguma produção. A macadâmia tem origem australiana e foi introduzida no Brasil há 25 anos.

Gestão, pesquisa, novas tecnologias e união para superar crise

O Portal Montanhas Capixabas ouviu especialistas em busca de soluções para a retomada do crescimento das exportações mesmo diante da estiagem prolongada que atinge o Espírito Santo. 

O presidente da Fundação Instituto Capixaba de Pesquisas em Contabilidade, Economia e Finanças, Aridelmo Teixeira, aposta no melhor uso dos recursos naturais para aumentar e melhorar a produtividade da produção agrícola capixaba. "A gente sempre achou que os recursos naturais seriam fontes inesgotáveis. Não era verdade. O mundo sempre olhou para nós, brasileiros, e dizia: 'porque eles desperdiçam tanto?' Agora a conta chegou. Temos que usar melhor os recursos hídricos. Hoje, existem tecnologias que permitem ao homem do campo o melhor uso dos recursos naturais", diz Aridelmo.



Para o secretário de Estado de Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca, Octaciano Neto, a saída está em gestão e pesquisa. "Na minha opinião, as cooperativas agropecuárias precisam melhorar a gestão de seus negócios. Fizemos uma parceria com a Fundação Dom Cabral para mostrar isso para elas. A pesquisa é outro ponto fundamental para enfrentarmos situações como esta que estamos passando. O Incaper, por exemplo, lança no ano que vem uma nova variedade de café conilon mais resistente à seca. Mas o homem do campo também precisa fazer a sua parte. Buscar tecnologias que melhor utilizem os recursos naturais existentes", afirma o secretário.

O economista Bruno Funchal alerta para o momento vivido pelos agricultores capixabas e acredita que a retomada das exportações dos produtos do agronegócio ligados a cooperativas ocorrerá a médio e longo prazo. "A situação atual é muito difícil para o homem do campo, mas ele precisa ficar atento a isso porque outras secas irão acontecer. Por isso, é importante fazer algum tipo de investimento em tecnologia para produzir cada vez mais com menos água. A gente sabe que investir nesse momento não está fácil, mas se faz necessário. Somente com isso será possível voltar a exportar como antes", finaliza.

Analistas estimam que a marca de US$ 1,03 trilhão alcançada nos últimos anos pelas exportações brasileiras virá em muito menos tempo daqui para frente. Isso se deve à demanda do mercado exterior. A FAO (braço da ONU no setor de alimentos) aponta recorde de consumo per capita de alimentos nos países desenvolvidos daqui a dez anos. 

Nos países menos desenvolvidos, o crescimento tende a ser maior nos próximos anos. Diante da necessidade de ampliação do fornecimento mundial de produtos agropecuários, a FAO coloca o Brasil como uma promessa de bons negócios. E o Espírito Santo tem muito a ganhar com isso!

Clique aqui e confira na íntegra a tabela com dados das exportações capixabas. Fonte: Instituto Jones dos Santos Neves.

 

 



 

 

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