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Gastronomia

Histórico

 

 

03/08/2011

Baixa gastronomia

 

 

 
Em minha opinião este termo não tem conotação pejorativa, mas faz um contraponto com a que é denominada “alta gastronomia”. Esta é a preparada por “figurões” da gastronomia internacional, laureados com medalhas e títulos diversos, integrantes de listas dos “mais mais”, em cujos restaurantes se pode apreciar (?), a preços fora da minha alçada, preparações que, utilizando produtos excêntricos e inusitados, como folhas de ouro, por exemplo, fazem a cabeça e o estômago de muitos comensais, colunáveis e “noveaux riches”(novos ricos, em francês).
 
A “baixa gastronomia” cuida da comida do dia-a-dia, dos “tira-gostos” e petiscos, criados e preparados por quem também adora cozinhar e que utiliza produtos, vamos dizer assim, “normais”, frescos, que se consegue adquirir nas feiras livres ou nos mercados e supermercados, não precisando, portanto, entrar nas delicatessens ou lojas de produtos importados.
 
Ela está presente, principalmente, nos botecos da vida. E seus cardápios mostram bem as regionalizações, como podemos verificar aqui no Espírito Santo: por possuir 400 km de orla marítima, nada mais justo do que uma porção de camarões fritos ou então uma travessa com um peroá também frito e acompanhado de salada e umas batatas! 
 
 
Em Minas Gerais são especialidades, e acho que só lá, as iscas de fígado com jiló fatiado e acebolado, tudo frito, ou uma porção de torresmos crocantes, acompanhados, sempre, por uma cachacinha da melhor qualidade, que os mineiros sabem fazer tão bem...
 
 
No Rio de Janeiro podemos experimentar vários dos seus representantes, como os bolinhos de aipim recheados com carne seca desfiada ou as empadinhas, fofas, amanteigadas, desmanchando na boca, recheadas com creme de galinha ou camarão, ambas regadas a um chopp bastante gelado e bem tirado.
 
 
No nordeste do país a carne seca com abóbora (jabá com jerimum, na língua nordestina) ou as “buchadinhas”, preparadas com a carne e os miúdos do bode, servidas com arroz, pirão e caprichadas no molho de pimenta, são pratos típicos e tradicionais da “baixa gastronomia” de lá.
 
 
No sul do país a realidade é diferente e deliciosa, também. As origens germânica e italiana trouxeram muitas variações, como os embutidos (salames, salsichas e linguiças) ou aquelas preparadas com uma fatia de pão levemente torrado e coberto com queijos, tomate, presunto e outros (são as bruschetas e os crostini).
 
 
Apesar da “baixa gastronomia” poder ser produzida com os frutos do mar, com a carne de porco ou bovina, com vegetais e derivados do leite, ovos de galinha ou de codorna, seria imperdoável não mencionar as virtudes de uma porção de moela de frango bem acebolada, cercada por um molho saboroso de pimenta, ou umas rodelinhas de lingüiça da roça, fritas até ficarem crocantes, acompanhadas ou não por bastões de aipim fritos na hora...
 
 
Mas não só de petiscos vive a “baixa gastronomia”. Também aquelas preparações tradicionais (quem freqüenta botecos sabe do que estou falando...), como uma “dobradinha com feijão manteiga”, que chega fumegando em nossa mesa, ou mesmo uma “carne de panela recheada com cenoura e bacon ao molho ferrugem”, similar àquela que saboreávamos em casa, fazem parte deste contexto.
 
 
Ainda tenho que citar os doces: uma paçoquinha ou uma cocada, daquelas preparadas com côco queimado? O que vai ser?
 
 
Para encerrar, o que dizer do “pastel de feira”? Falem a verdade, quem neste mundo de Deus ainda não se curvou diante de um, frito na hora, recheado seja com frango, com presunto e queijo, com palmito? Para acompanhar, um caldo de cana geladinho, que recompõe, com seu altíssimo teor de açúcar, as energias despendidas na noite anterior...
 
 
Convido-os, assim, a fazer uma incursão pelos bares e restaurantes mais modestos, nos quais só irão encontrar vinhos de garrafão, cerveja bem gelada e algumas batidas ou infusões preparadas com boas cachaças, e onde vão poder ter as verdadeiras provas que a “baixa gastronomia” é preparada e temperada com o coração, de maneira simples, tradicional e com sabores surpreendentes! 
 
Além de tudo, seus bolsos também vão agradecer!
 
E não custa insistir: se beber não dirija! Até a próxima!
 

 

 

 

 

Evandro Albani

03/08/2011
08h14

Mario, nunca é demais lembrar que o pastel de vento do Samuel do Pastel, de Domingos Martins, já se tornou uma lenda no município, e pode ser encontrado nos melhores bares e padarias da cidade, nos sabores de carne e de banana com canela. Parabéns pelo delicioso artigo! Seguirei seu convite com muito prazer!


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Leitor Faminto

03/08/2011
11h17

Mario, seus artigos são fantásticos, mas leitores por favor, siga o meu conselho: não leia esses artigos na hora do almoço!! Porque corre o risco de alguém comer o monitor do computador de tão apetitosas as imagens!! É verdadeiramente comer com os olhos!! Parabéns Mario!!


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Máira

03/08/2011
12h36

Delícia de artigo. Parabéns.


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rosa maria

03/08/2011
16h44

Mario Luiz, que artigo maravilhoso, huummm!!!


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Regina Senna

03/08/2011
19h15

Adorei. E fiquei com fome vendo as fotos. Parabéns! Bjs


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Rosemay

04/08/2011
09h04

Parabéns Mário. Você mostrou o valor e a diversidade da culinária brasileira.


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Camila Scalfoni

04/08/2011
09h44

Ciao, Mario!  Que artigo delicioso... Gostei demais e minha mãe também adorou. Um abraço!


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Lenize

04/08/2011
11h52

Mário, Parabéns. Mais um artigo fantástico!!! Ferran Adriá deveria ler para entender o prazer de uma bos mesa. Abraços


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welingtom

27/08/2011
10h57

nossa as coisa feita ai são uma delicia mesmo também sou de origem italiana e passo poucas e boas aqui rsrsrsr


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