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Coluna Pomerana

Histórico

 

 

02/09/2016

Os diferentes ''falares'' na Pomerânia

 

 



Há pouco tempo li nas redes sociais uma discussão entre pomeranos do sul do Brasil e os capixabas, em torno de algumas palavras que, conforme a escrita e pronúncia não eram iguais, mas sua designação era a mesma. 

Hoje com toda evolução tecnológica, a grande maioria dos jovens quer que suas dúvidas sejam sanadas, no clicar de um simples botão,  

Os habitantes de outras regiões da Europa que foram para Pomerânia, desde o século V até XIII, trouxeram costumes e suas Línguas ou dialetos. Uma vez se integrando com os habitantes nativos, certamente houve uma mescla lingüística, permanecendo até 1540 o pommerisch (pomerano), mas com muitas variantes do seu linguajar e escrita. O estudo dos professores lingüísticos da Universidade de Greifswald, situado no novo estado alemão de Mecklenburg-Vorpommnern, nas antigas terras pomeranas, traz o exemplo da palavra Freuen (alegrar-se). Constataram que no passado em 14 regiões pomeranas havia uma escrita diferente e pronúncia desigual, porém designava o mesmo sentido da palavra: alegrar-se. 

Para desvendar estes mistérios, precisamos conhecer a história da formação da Pomerânia. Temos que recorrer à literatura do passado, mesmo que seja com livros escritos em alemão gótico, com suas leituras extenuantes e cansativas. Hoje sugiro dois caminhos eficazes nos quais um leitor assíduo pode desvendar muitos mistérios sobre a formação da história pomerana e que está ao alcance de todos. O Museu Wolfgang Weege no Parque Malwee, em Jaraguá do Su/SC, tem um dos mais completos acervos literarários sobre os pomeranos. Possui em seu Arquivo a Coleção completa encadernada do antigo Jornal impresso Pommerblad, editado em anos anteriores pelo historiador Jorge Küster Jacob de Vila Pavão/ES. 

Outra exemplo, com artigos variados, é a Folha Pomerana que em três anos de existência, com assuntos inéditos se tornou uma fonte inspiradora para estudos, para elaboração de novas teses (mestrado e doutorado) e a edição de livros. 

Para entender melhor toda a complexa e milenar história pomerana é preciso pesquisar muito, esmiuçar, ter paciência e insistir na continuidade da leitura e visita as Bibliotecas de Universidades, como Universidade Regional de Blumenau (FURB), Federal do Espírito Santo (UFES em Vitória), Ernst-Moritz-Arndt Universität Greifswald (Alemanha). Também já temos conceituados Museus da imigração pomerana, como Museu Pomerano de Lagoa/ES, fundado em 28.11.1980, Museu Wolfgang Weege no Parque Malwee em Jaraguá do Sul/SC, Casa do Imigrante Carl Weege de Pomerode/SC inaugurado em 1998 e Museu Pomerano Franz Ramlow inaugurado em 26.01.2005.  

Não podemos esquecer que nas terras pomeranas, inicialmente na costa Báltica viviam as tribos germânicas dos ruguérios, lemóvérios e nuitones, desde século II antes de Cristo. No século V receberam grupos eslavos (wenden) da Ucrânia que se instalam no meio dessas tribos antigas germânicas. E a partir de 1220 o Duque pomerano Barnim I abriu as fronteiras da Pomerânia e, para povoar o norte do ducado, recebeu colonos de diversas regiões germânicas do sul da atual Alemanha. A assimilação destes grupos deu origem a uma nova “tribo” e conseqüentemente ao desenvolvimento de uma nova “língua” que passou a ser conhecida como pommerisch (pomerano), também denominada de alemão baixo médio, ou simplesmente baixo alemão. 

Os habitantes das terras pomeranas que viviam a leste do rio Oder, também eram conhecidos como habitantes que falavam a língua baixo-alemão oriental (Ostniederdeutsche Sprachel). 

Por outro lado, em uma ampla faixa, ao longo de toda a costa do Báltico e mais na cidade de Stettin, era falado um dialeto denominado de Südniedersächsisch-Altmark. Este também era falado no norte da Saxônia, região de Mecklenburg e Schleswig-Holstein. Talvez a divisão do ducado em uma Pomerânia Wolgast e Pomerânia-Stettin, a partir de 1295, tenha contribuído para ampliar esta diferença entre os “dialetos” destas diferentes regiões. 

A partir de 1651 o alto alemão, começou e vigorar em substituição ao baixo alemão, pois passou a ser utilizado nas correspondências oficiais, autarquias governamentais, alfândega e na cidade populosa e comercial de Stettin (atualmente em polônes se escreve Szczecin).  

Para o pesquisador e lingüístico Dr. Walter Schlesinger, o falar pomerano começou a aparecer (de modo significativo) entre os séculos XII a XIV, tendo sofrido no passado grande influência alemã e eslava. Hoje se admite que o falar dos eslavos, sem sobra de dúvida, causou um grande impacto, talvez maior do que anteriormente se pensava. Mas, foi na classe mais simples dos trabalhadores do campo que subsistiu este modo de falar, com isto não tendo sucumbido a gerações. Esta população rural, portanto, teve um importante papel na sua preservação e coube às mães e avós pomeranas, no convívio familiar, a preservação do idioma pomerano.

AS DIFERENTES PALAVRAS DA LÍNGUA POMERANA NO BRASIL

Quem tem razão?  Os pomeranos capixabas, os catarinenses ou os gaúchos? Estas são as velhas discussões que sempre nos sobressaltam nas redes sociais. A matéria acima ilustra muito bem a diversidade da origem da língua pomerana. As influências na sua formação foram as mais variadas possíveis e, se levarmos em consideração que 90% dos antepassados dos nossos pomeranos brasileiros saíram de Hinterpommern, ou seja, dos territórios hoje incorporados à Polônia, fica ainda mais difícil realizarmos estudos retrospectivos na procura pelas origens das diferentes expressões em uso no cotidiano da população pomerana brasileira. Em primeiro lugar, porque hoje, naquelas terras do além-mar praticamente não há mais descendentes desta etnia que ainda cultivem o idioma dos seus antepassados, pois o domínio polonês sobre os remanescentes da antiga população extinguiu qualquer motivação para preservar esses valores culturais de outrora.  

As chamadas línguas mortas como o latim, o grego e o hebraico, ainda relativamente empregadas no meio acadêmico, têm regras de utilização rígidas e imutáveis há dois mil anos. Os alunos dos cursos de latim continuam traduzindo “De Bello Gallico” de Julio César dentro de interpretações como talvez já o fizessem no tempo de Roma. 

O que temos no Brasil é uma população que, talvez em consequência do seu próprio processo e aculturação, terminou adotando novas expressões ou mesmo modificando palavras, muitas vezes com sentido igual ou até ambíguo. Não há maneira de se uniformizar tudo isso como se fôssemos preparar um sopão ou um mocotó. Precisamos sim, registrar essas diferenças, porém devemos fazê-lo dentro de um espírito histórico documental e jamais utilizá-los como elementos de discórdia ou de imposição, na fabricação de um “frankenstein”  linguístico pomerano brasileiro.  

Estou convencido de que, se quisermos manter a língua pomerana como uma língua viva, também precisamos aceitar seu processo de evolução e suas modificações naturais e espontâneas decorrentes do seu uso cotidiano.
 

 

 

 

 

 

 
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