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Coluna Pomerana

Histórico

 

 

03/02/2016

Brote: o pão pomerano e as suas origens

 

 



Se formos procurar a origem do consagrado “pão nosso de cada dia” facilmente veremos que este deve ser tão antigo como a própria humanidade. Em todas as culturas sempre houveram diferentes formas de preparados alimentares cozidos ou assados com características que se assemelham ao nosso pão ainda hoje consumido. 

Os diferentes tipos de pão encontrados na antiga Pomerania, na região do Mar Báltico até têm muitas semelhanças ao que hoje ficou consagrado como o folclórico “pão dos pomeranos”, aqui também conhecido como “Brote”.  
 

Mas, afinal, de onde vem esta especiaria chamada “Brote” ou pão pomerano? Durante as primeiras décadas a criação de aves domésticas era coisa rara. Por outro lado, quem sonseguia recorria à caça de pequenos animais silvestres.

Porém também a caça precisava ser aprendida, até por que a desconheciam nas suas vilas ou povoados de origem. Também o cultivo do arroz era desconhecido durante os primeiros tempos da colonização. Tudo isto nos leva a imaginar o que deve ter sido a vida sacrificada dos pioneiros desta época. Na realidade estes primeiros colonos tiveram acesso à terra, porém, o pequeno conhecimento da própria culinária brasileira fez com que muita matéria prima aqui disponível, com por exemplo os tubérculos, tão comuns nas terras quentes, não tivesse seu desejado potencial de aproveitamento. É lógico, que as necessidades emfrentadas levaram o colono na procura por outras modalidades de alimentos. Foi assim que descobriu os tubérculos, encontrados com bastante freqüência na própria natureza. Familiarizou-se com a mandioca, a taioba, a abóbora, o inhame, a batata doce, o cará e o amendoim.
 

Aqui não se tinha trigo nem batatas nem animais domésticos para suprir as necessidades alimentares básicas. Mesmo assim os europeus parecem ter levado bastante tempo para aprender a utilizar melhor este potencial da riqueza, representado pela caça, pela pesca e pelos vegetais silvestres. Somente depois de um longo e sacrificado aprendizado os pioneiros começaram a plantar milho e mandioca, aliás, prática já bastante comum entre os caboclos e os próprios índios. Foi desta forma que aos poucos a canjica de milho, o feijão e a mandioca se transformaram em ingredientes básicos das refeições dos agricultores aqui assentados.  Afinal, para poder viver era preciso comer o que se tinha. Com isto aprenderam a se adequar ao que existia. 

A população da Pomerânea tinha no arenque (Hering) um dos elementos básicos da sua alimentação diária. A pescaria no Mar Báltico, ao lado da atividade agrícola nos grandes latifúndios, constituía-se na principal atividade de subsistência. Aqui nas novas colônias, também o peixe continuou sendo muito consumido, pois abundava nos pequenos rios e riachos. 
 

Com o passar dos anos, a necessidade de um melhor beneficiamento do milho, fez com que muitos pioneiros passassem a construir os seus próprios moinhos que lhes permitissem produzir o fubá, uma farinha de milho de uma melhor qualidade. Com isto a plantação deste cereal e de tubérculos efetivamente passou a se constituir na principal forma de cultura de subsistência. Além disto, com o surgimento de uma qualidade de milho branco, esta farinha de milho branca passou a ser melhor aceita como substituto da farinha de trigo, impossível de ser importada da Europa. 

Estavam agora prontos os ingredientes básicos para a preparação do seu mais importe elemento nutricional, o “Broud”, “Mijabroud” (pão de milho) ou o “Bananabroud” (brote de banana), mais tarde aportuguesado com o nome de “Brote”. Trata-se de uma deliciosa mistura, que, segundo conta a lenda popular, teria sido inventada por força das circunstâncias e que terminou satisfazendo a necessidade de alimentação básica dos pomeranos. Na verdade há também uma referência, segundo a qual esta receita teria sido proveniente de agricultores de Minas Gerais.  Entretanto, o fato de se estar produzindo um tipo de pão muito semelhante, tanto no estado de Espírito Santo como em Santa Catarina, no Rio Grande do Sul e agora em Rondônia, também leva a pensar tratar-se de uma herança, de certa forma já trazido da Pomerania e, por força das circunstancias, adaptada às condições locais. 

Mas, o que vem a ser o tal do “Brote”? Trata-se se um pão, visualmente parecido com o que temos pelo resto do Brasil e também na Pomerânea Báltica. O que o diferencia, porém, são seus ingredientes, que se aprendeu a adicionar, como já se obervou, em decorrência de uma abundância de produtos locais. Os elementos básicos como a farinha, o sal, o fermento e a água, apesar de também estarem presentes, tiveram a fariha de trigo substituída pela farinha de milho. Os novos ingredientes, responsáveis pelos diferentes saboras ficaram por conta de cada “padeiro” na medida em que estes foram adicionando à massa do pão diferentes quantidades de tubérculos ralados como batata doce, inhame, cará, aipim, ou mesmo algumas bananas bem adocicadas, frutas cristalizadas ou mesmo diferentes temperos. Concluida a massa, moldava-se os “Mijabroud” e se passava-se um preparado na base de ovo batido. Depois de deixa-lo “crescer”, era colocado para assar em um formo de barro pré-aquecido até cerca de 160 graus. 
 

Dizem que, para ficar melhor ainda, era necessário colocar este Brot dentro do forno sobre folhas de bananeiras. Foi desta forma que muitos segredos culinários terminaram sendo passados, de geração em geração até os dias atuais. 

Bom apetite!!!
 

 

 

 

 

 

 
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