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Palavra Crônica

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19/09/2016

Por essa eu não esperava!

 

 



Por essa eu não esperava! O impossível, o inacreditável, aconteceu! Pensei que jamais passaria por isso. Pensei que isso só acontecesse com os outros. Mas, hoje, foi o meu dia. Não deu para escapar. Não deu para correr. Capitulei. E, finalmente, o mais temível se sucedeu: eu não faço ideia do que escrever. 

Sabia que, algum dia, isso me acometeria. A falta de inspiração. Com tanta coisa ao meu redor e eu, aqui, sem saber do que falar. Todo escritor já passou por isso. Desde quando, por sugestão de um amigo, resolvi me autoimpor o delicioso exercício de prosa, de produzir uma crônica por quinzena, há cinco anos, eu já falei de tudo: infância, política, economia, literatura, saúde, história... e até sobre o nada. São, imagino eu, mais de duzentos textos, cada um sobre um tema diferente. Desta vez, a inspiração sumiu. E eu fiquei na mão. 

Não se decepcione, caro leitor. José Carlos de Oliveira (1934 - 1986), que fazia a crônica diária (sim, diária!) no Jornal do Brasil, por quase duas décadas, tinha seus dias de desespero. Marzia Figueira (1938 - 2000) até escreveu sobre o assunto, numa de suas crônicas do livro "Os Inocentes" (1999). O que há de semelhante nos dois? São capixabas e tinham no ofício da palavra a paixão... e o ganha-pão. Mas também eram humanos e, como tal, o repertório falhava. Ficavam, também, na mão. 

Tentei buscar alguma coisa nas redes sociais. Havia tirado uma foto de uma grafite na fachada de uma casa, no centro de Vitória. A frase, de um grupo de pagode, dizia "O que que eu vou fazer com essa tal liberdade?" era hilariamente atribuída a Sartre. Achei a brincadeira muito criativa, mas, houve quem condenasse o pixo e, então, resolvi abortar a ideia. Outra foi sobre o desconhecimento da bandeira capixaba nos Jogos Olímpicos, mas também deu polêmica. Outra seria sobre o impeachement, mas, melhor não. Uma coisa é ter falta de inspiração. A outra, dor de cabeça.

Fiquei buscando uma razão para isso. Talvez sejam as próprias redes sociais, um retrato do mundo de hoje. Vivemos o domínio da imagem sobre o texto escrito e isso influencia na plasticidade do cérebro. Anda, vira, mexe, ouço ou leio relatos de pessoas dizendo que, de uns tempos para cá, não conseguem mais se concentrar para ler. Não têm mais paciência. Bom, melhor não ter paciência que inspiração. Sinto-me como o cantor que perdeu a voz. Como o ator que esqueceu o texto. Ou como o amante que falhou pela primeira vez. 

Calma, amigo leitor, calma. Isso é nuvem passageira. Certamente, na próxima quinzena, estarei com um bom tema a ser escrito. É o que não falta. Só espero que isso tudo não me acometa tão cedo. Pior que não falar o que se sabe é não saber o que se fala. Em todo caso, aceito sugestões. Contanto que seja algo passível de ser escrito. Afinal, sobre ideia ruim, prefiro ficar sem escrever. Não estou a fim de "mimimi". Se bem que, tá aí! Até que o "mimimi" pode render uma ótima crônica.
 

 

 

 

 

 

 
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