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26/02/2016

Acabou, né?

 

 



Querido leitor, responda pra mim: acabou, né? Natal, ano novo, mas, principalmente, carnaval. Até horário de verão acabou! Acabou a moleza. Podemos voltar ao normal, agora? Ou será que tem mais alguma festa, alguma "ressaca" para atormentar aqueles que não são muito adeptos à folia? 

Eu juro que tentei gostar do carnaval. Não sei por quê, nunca fui muito disso. Sei lá, esse negócio de música alta (e sempre de qualidade duvidosa), muita gente junta, movida a doses cavalares de álcool etílico nunca me agradou. Meu maior erro, aliás, foi insistir, quando, em 1998, quando passei o último (e, talvez, único) carnaval da minha vida. Foi em Guriri, praia do município de São Mateus, norte do ES. O hit do momento era a Dança da manivela, cujos passos até tentei imitar. Você consegue me imaginar arriscando aquilo?

Em épocas de Netflix, fugir da mesmice é completamente possível. Antigamente, no entanto, quem não gostava da folia tinha de se resignar em ver desfiles e mais desfiles, nos poucos canais que havia. Para mim, sempre foi tudo a mesma coisa. Tudo igual. Sempre tem a celebridade que desfila em um monte de escola, a ala das baianas, mestres salas e porta bandeiras e os intérpretes, que parecem ter a mesma voz. Imagino o trabalho que dá para os jurados votar em cada quesito! Deve ser uma sutileza daqui ou dali. Vai saber!

Para piorar o desespero daqueles que, como eu, querem fugir da folia, o carnaval tem se estendido cada vez mais! Lembro-me que, antigamente, era uma semana. Depois, viraram duas: o pré-carnaval e o carnaval. Agora, são três, com as "ressacas". Interessante é que o carnaval em si é só na terça-feira, o mardi gras que, lá em cima, é comemorado com tudo funcionando. Quando era estudante de Direito, lembro-me de assistir a um documentário sobre a justiça criminal francesa, que só parava na véspera do ano novo. Experimente, no mínimo, adoecer por essas épocas aqui no Brasil...

Antes que comece o "mimimi" (que, na minha época, conhecíamos por "encheção de saco"), não, querido leitor, eu não sou contra o carnaval (nem contra quem gosta dele). Ao contrário: reconheço a importância cultural da festa e como ela move a roda da economia. Aqui em Vitória, minha terra, a folia acontece uma semana antes, gerando emprego, renda e incrementando o turismo. Porém, eu só quero ter o direito de ser do contra. Só isso. Em épocas de politicamente correto, parece que todo mundo tem de fazer às vezes de "vaquinha de presépio" e balançar a cabeça para a maioria. Sinto decepcioná-lo. Não gosto do carnaval e pronto. Simples assim. 

Felizmente, andei encontrando algumas (e não poucas!) pessoas como eu. As redes sociais têm esse poder, o de juntar os cardumes. Vi todas as reações possíveis: de gente que se fechou em copas até aqueles que postaram memes com fotos horripilantes, de doenças e mortes provocadas durante a festa. Calma, companheiros de infortúnio: não precisamos radicalizar desse jeito. Façam como eu, que cacei meu rumo numa praia afastada e linda, ao norte do Espírito Santo. Pé na areia, água quentinha e a linha do horizonte. E a companhia de bons livros, dentre os quais, "Dois irmãos", de Milton Hatoun, que recomendo. Há tempos não lia um romance tão bom. Aliás, só o carnaval para nos proporcionar isso. Pensando bem, até que ele não é assim tão ruim. 
 

 

 

 

 

 

 
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