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16/09/2015

Ossos, músculos, órgãos, tecidos, hemácias e leucócitos

 

 



Eu não tenho filhos mas, depois de ver a foto do corpinho do menino Aylan, morto, dia 2/09, na praia de Bodrum, Turquia, senti uma dor tão profunda que parece que eu havia perdido um. Diz o clichê que perder um filho é tão horrendo que não há palavra na língua portuguesa para nomear o que é. Apesar de ainda não ser pai, acho que posso entender. Como humano que sou, compreendo perfeitamente que, depois de Aylan, o mundo ficou mais órfão de filho.

Meus amigos gozam de mim (depois de se espantarem!) quando digo que gosto, de vez em quando, de assistir a vídeos de cirurgias. Antigamente, no entanto, não era assim. Tinha horror a sangue. Depois do acidente, porém, a coisa mudou. O corpo humano, antes de ser uma máquina de repulsa, é o espelho perfeito do milagre da vida. Ossos, músculos, órgãos, tecidos, hemácias e leucócitos. Somos todos os mesmos, debaixo das mais profundas camadas da derme. Somos todos... humanos.

Não entendo por que, então, os países costumam barrar a imigração. Não, leitor, não me venha falar das mais mirabolantes teorias econômicas. Nem me mostrem os melhores tratados de Ciência Política. Eu estou falando do ponto de vista do Humano. Aquele mesmo humano que escravizou e matou centenas de seres humanos, feitos com as mesmas hemácias e leucócitos, músculos, ossos, órgãos e tecidos, mas que, ao mesmo tempo, inventou títulos e diplomas, cargos e castas, para se distanciar uns dos outros.

Também não entendo a tolice das guerras. E por mais que eu tente encontrar motivos, pesquisar em livros, eu vou continuar sem entender. Dizem, por exemplo, que essa guerra na Síria é uma afronta ao regime do ditador Bashar Al-Asad e que vai deslocar quase um milhão de pessoas, ao redor do mundo. Aqui no Espírito Santo, 24 famílias de refugiados esperam legalizar sua situação. Que sejam bem-vindos. Enquanto nós recebemos, a Hungria finaliza um muro, enquanto países como França, Alemanha e Inglaterra se debruçaram para estabelecer cotas de imigração. E os austríacos deram não apenas carona às famílias de refugiados, mas, também, um show de humanidade!

Não é necessário fechar as fronteiras do Velho Mundo, ou cotizar as de qualquer um. O mundo, aliás, não deveria as ter. Na verdade, creio que já passou da hora de abrirmos as fronteiras deste mundo, construindo um outro, sem barreiras, nem castas, pois este em que vivemos já não tem mais respostas para um outro mundo que vem surgindo. Somos feitos dos mesmos ossos, músculos, órgãos, tecidos, hemácias e leucócitos do menino Aylan. No entanto, ainda hoje, tudo isso vale menos se o invólucro for um menino sírio, filhos de refugiados. Se ele, ao menos, fosse europeu... em todo caso, para mim, ele é gente. E, certamente, a foto do frágil corpinho de Aylan nos mostrou isso, em última análise.
 

 

 

 

 

 

 
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