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Palavra Crônica

Histórico

 

 

07/08/2015

O velho Rubem e eu

 

 



Eu poderia ter conhecido pessoalmente o Rubem Braga, afinal, ele faleceu em 1990, o que, para a História, é um suspiro. Infelizmente, não tive esse prazer. Naquela época, eu era uma criança que sonhava, com os olhos abertos, em, um dia, ser escritor. Ele, escritor laureado, fechava para sempre os olhos.

Não é a primeira vez que falo nele. Nem quero que seja! Porque existe, sim, algo que nos une: a paixão pela crônica. Foi a ele que recorri, quando resolvi me lançar no gênero. Antes, tinha medo de fazer crônica. Acredite, leitor, o texto curto é o mais difícil e, também, o mais desafiador. É necessário ser objetivo; cortar palavras; sem jamais perder o lirismo. E, quem melhor para ensinar isso tudo que o "Sabiá da Crônica"?

Comecei com "Um pé de milho"; na sequência, "Ai de ti, Copacabana". E assim, fui indo, de texto em texto, de coletânea em coletânea, em livro, na internet... Rubem não apenas sabia ser objetivo: seus textos são verdadeiras "poesias em prosa". Ele tem um lirismo, uma leveza na medida certa, que nunca recai na pieguice. Seu olhar é uma câmera de lente sensível que consegue transformar até as coisas mais banais: um par de luvas, caído no sofá; um Flamboyant que desfolha; o preço do gás, nas alturas (já naquele tempo!); e, claro, sua Cachoeiro de Itapemirim,  a "Capital Secreta do Mundo", tema de tantas crônicas de um autor que, mesmo longe da terra natal, jamais tirou de seu coração o berço que o embalou.

Não é segredo que, em 2009, sofri um grave acidente automobilístico. Apesar do sofrimento por que passei, durante uma recuperação difícil, um dos meus alentos era ter ficado na "Ala Rubem Braga". Pode parecer bobagem, mas, aquilo, para mim, estava carregado de simbolismo. Vi a morte de muito perto e olhar para aquela imagem do Velho Braga, durante meus "passeios" pelos corredores do hospital, já deixando a UTI para trás, me dava a chancela de que eu deveria abraçar as Letras como uma nova razão para estar vivo. Tudo aquilo sob as bênçãos de Rubem.

Dizem que Rubem Braga não era lá muito afeito a condecorações. No entanto, desde 2014, aqui no Espírito Santo, ele empresta nome e rosto à mais importante comenda de mérito literário, deferida pela Assembleia Legislativa. Em 07 de julho de 2015, fui um dos agraciados. Ter a efígie dele no peito o deixou ainda mais próximo de meu coração. Na crônica "O conde o passarinho", que dá nome ao seu primeiro livro, o autor conta a história de um pássaro que levou no bico uma comenda do Conde Matarazzo. Tratei de guardar, logo, a minha. O único pássaro que pode chegar perto dela é o "Sabiá da Crônica". Este pode levá-la para bem alto, além do infinito, quando, um dia, escreveremos, juntos, os nossos textos.
 

 

 

 

 

 

 
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