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24/04/2015

A camisa que não vai virar pano de chão

 

 



Papai disse que vai fazer uma camisa minha de pano de chão. Que maldade! Apenas porque, de preta, ela já está acinzentada, quase branca, totalmente desbotada! Qual o problema? Só porque eu queria sair com ela? Justo agora que ela pegou o molde do meu corpo!? Afinal, quem é que já não teve uma roupa velha de estimação, daquelas que só falta andar sozinha do armário para o corpo e do corpo pro cesto de roupa suja?

Reza a lenda que meu pai sempre foi um cara bem vestido. Dá pra notar! Geralmente, é a mãe da gente que ralha quando a gente pretende sair à rua beirando o ridículo (quando não totalmente nele!). Lá em casa, sempre foi papai que encrespou com isso. Bonitão, cabeludo, vocalista de uma banda de rock, ele chegou a emprestar a silhueta para o cartaz de uma alfaiataria em que costumava mandar fazer suas roupas. Era a época do "boca de sino", fino da moda para a época, risível nos dias de hoje.

Minha mãe também é uma pessoa elegante e antenada na moda. Frequentadora assídua de blogs do assunto, ela tem, entretanto, uma história que a condena: a do vestidinho azul de bolinhas brancas. Consternada com minha camiseta preta, ela se lembrou do vestidinho que, segundo ela, viva em seu corpo e que era alvo de constantes ameaças da minha avó.

A gota d'água foi quando, um dia, fazendo um trabalho da faculdade, cabelo amarrado de qualquer jeito e, claro, vestidinho azul de bolinhas brancas no corpo, minha mãe foi atender a campainha. Até bem pouco tempo, eram muito comuns os vendedores de porta em porta e o moço, ao vê-la daquele jeito, perguntou: "a patroa está?" Não preciso nem dizer como foi o capacho da porta da entrada de casa no dia seguinte...

Eu, que sou um pouquinho de um e de outro, gosto, sim, de me vestir bem. Porém, vou confessar, aqui, um segredo: praticamente, ganho todas as roupas que visto. É muito raro sair para comprar. Detesto! Aliás, não sei como mulher gosta de gastar tanto tempo (e dinheiro) em loja de roupa. Uma já me falou que é "terapia". Sinceramente, não tenho paciência. Mas tenho sorte: até hoje, só ganhei roupa de gente de bom gosto! Afinal de contas, posso não ter paciência pra comprar, mas, também, não tenho disposição de sair por aí que nem palhaço!

Vestir-se bem, em um país tropical, tem um preço: o calor. E eu vivo me sentindo assim. É por isso que não tem nada melhor, ao chegar em casa, que usar aquela camisa que já se amolda no corpo; aquela bermuda, bem larga; aquele chinelo no pé. Não vai me dizer, leitor, que você nunca fez isso, porque já fez. Todo mundo tem a sua roupa de estimação. E eu tenho a minha. Alvo de tantas ameaças, ando a escondendo da tesoura doméstica. Vai que eu chego em casa e a camiseta está lá, de capacho? Cruz credo!
 

 

 

 

 

 

 
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