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Palavra Crônica

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20/03/2015

A vida depois da luz

 

 



Se alguém lá de cima descesse aqui na Terra e me mostrasse um filme da minha vida, jamais acreditaria que haveria uma emenda na fita. Eu nunca escolheria sofrer um acidente grave. Nunca. Mas ele estava ali. Com data marcada. Me espreitando, na curva de uma autoestrada. Foi tudo muito rápido, só para que eu visse a morte de pertinho e voltasse para uma pergunta me assombrar durante tempos: por quê? Sem conseguir buscar respostas, transformei minha dor, não em força, mas em livro. Só não sabia que esse livro iria tão longe. Mais longe que eu, quando daquela viagem.

Sempre quis ser escritor. Aliás, sempre fui. Escritor não tem data marcada para começar: ou se nasce assim, ou se não nasce. Mas, como todo mundo precisa de um marco, posso dizer que me transformei oficialmente em autor no dia 14 de maio de 1994, aos 15 anos de idade. Foi no estande do antigo Departamento Estadual de Cultura, o DEC, no Ginásio Dom Bosco do Colégio Salesiano de Vitória/ES. Eu tinha escrito uma peça teatral, no ano anterior, sobre a História do Brasil, tudo em versos. Meus pais, grandes incentivadores, acharam tão bom que bancaram o livreto. Nenhum de nós sabíamos nada sobre como lançar livros. Menino em uma mão, livro na outra, papai achou essa brecha na programação do órgão. Era um sábado. Via a luz o escritor.

Nesse 2014 último, completei 20 anos de carreira literária. Foram, até então, seis livros: "Brasil de Ontem, Hoje e Sempre" (poemas, 1994); "Asas de Cera" (romance, 1995); "Concupiscência" (romance, 2003); "A História de um sobrevivente" (autobiografia, 2010); "O livro dos poemas" (poemas, 2013); e "A Máquina do tempo e outras histórias" (contos e crônicas, 2014). Tudo isso com idas e vindas, claro! Para quem se lançou na tenra idade, era imperativo passar por cursinho pré-vestibular, faculdade, primeiro emprego... mas nunca deixei para trás aquele sonho, verdadeiro projeto de vida, arquitetado para conseguir chegar lá.

Creio que, para se ter êxito em uma coisa, deve-se acreditar muito nela. Parece clichê mas o fato é que não se percebe quando se gosta de fazer algo: simplesmente se gosta. Eu nunca me dei conta de quanto me envolvi, desde então, com esse mundo maravilhoso da Literatura. Sempre acompanhei os saraus, os lançamentos e até já trabalhei com comunicação, em uma TV a cabo, num programa dedicado ao tema. Foi assim que abracei um movimento muito importante para nós, jovens autores, o da "Academia Jovem Espírito-santense de Letras" (2001 a 2008/9), que tanto me lapidou para que eu pudesse ter êxito em minha eleição na "Academia Espírito-santense de Letras", em 2010.

A única coisa que não estava nos planos foi o meu acidente automobilístico. Eu não pedi para sofrer daquele jeito. E jamais pediria. Tenho marcas indeléveis, tanto no meu corpo, como no meu coração. Foram seis cirurgias, durante o processo, mais uma plástica corretiva, ao final, consequência da formação de hérnias; uma colostomia; uma traqueostomia; e uma incrível experiência de quase morte (EQM), em que, definitivamente, tive uma prova de uma outra "dimensão", bem diferente desta aqui. Fui e voltei. Vi o outro lado. E Deus me concedeu uma segunda chance para contar essa história.

Escrever sobre o acidente foi, antes de tudo, livrar-me de um fardo. Não sabia, porém, que tanta gente havia passado - ou conhecia quem o houvesse - por situação semelhante. E, de repente, eu não me vi mais sozinho, mas acalentado. De tal forma que toda essa dor se tornou o meu 7º livro, lançado neste ano pela editora LeYa, "A vida depois da luz". Nele, ao longo de suas 176 páginas, narro, de forma romanceada, uma história verídica de superação, para fazer com que o texto se torne um veículo de comunicação entre mim e aqueles que se sentirem tocados, de alguma forma. Afinal, não posso voltar atrás. Mas posso olhar para o futuro, e tentar ajudar as pessoas, com a única arma que um escritor tem: a palavra.

Hoje, sei cada vez mais a resposta do meu "por quê": isso tudo aconteceu para que eu pudesse, de fato, me firmar como escritor. Foi um duro batismo, que serviu, não apenas, para que eu resumisse minha vida em "antes e depois", mas, sim, para que eu renascesse. Dou, assim, mais um passo na minha carreira de autor. Sinto-me orgulhoso em estar em uma casa tão tradicional como a LeYa, que tanto faz pela língua portuguesa no mundo, mas também de levar um pouco da minha história e, claro, do meu Espírito Santo, a todos os cantos do Brasil. E espero, um dia, refazer aquela viagem, interrompida em algum canto, na beira daquela estrada.
 

 

 

 

 

 

 
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