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Palavra Crônica

Histórico

 

 

12/01/2015

A passagem do tempo

 

 



Eu ainda me lembro da chegada do ano 2000 e a estranheza em ter de parar de escrever mil novecentos e alguma coisa. Foi uma época engraçada. Fazia faculdade de Direito e fiquei impressionado ao ver um professor comprar um Peugeot 99/2000, escrito assim mesmo. Nada de "zero-zero". Acho que era medo do "bug do milênio", uma ameaça que faria com que voltássemos todos a 1900, na virada daquele ano. Elevadores fechariam com pessoas dentro; aviões cairiam em nossas cabeças. E o mundo, obviamente, iria acabar. Mais uma vez.

Quisera passar meu réveillon em Paris. Mas foi em Camburi, mesmo, assistindo aos fogos, como todos os anos. Não teve o mesmo charme, mas confesso que senti uma felicidade muito grande em ser a testemunha ocular do milênio que só começava. Polêmica mesmo foi a questão do século: a mídia comemorou o fim do Século XX naquele ano e muita gente foi na onda. Que eu saiba, século novo só no ano 1, por causa do nascimento de Cristo. Ao menos, no ano seguinte, ganhei minha bolsa... e pude conhecer Paris. O século já não me importava mais.

Polêmicas não faltaram. Falei em fim do mundo? Pois é... arautos do caos disseram que de 2000 não passaria. Só se fosse a loucura deles! Em 1999, teve gente estocando alimentos, se mudando para o Planalto Central do Brasil (como se o mundo não fosse acabar ali também) e até se matando (!). E teve quem ganhasse dinheiro, claro. Como o estilista Paco Rabane, que fez uma coleção inspirada no apocalipse. Isso significava: você ia para o fim do mundo com estilo. Só pode! O mundo não acabou, claro. Nem a loucura das pessoas, que elegeram um novo apocalipse, doze anos depois. Estou, no momento, esperando o próximo.

A coisa do "bug" é que foi a mais engraçada: quem foi o infeliz que projetou computadores que iriam até 1999? Será que esse cidadão também pensou no apocalipse do Paco Rabane? Seria mais alguma teoria da conspiração? Ou alguma outra forma inteligente de ganhar dinheiro? Sim, porque o pânico mundial foi tanto que o "bug" fez cócegas. E muito programador se locupletou do "caos das máquinas" para ir rico para o além; ou, pelo menos, para o novo milênio.

E por falar em "caos das máquinas", a virada do milênio acabou sacudida pela aventura meio "cyberpunk", meio "filosófica" dos irmãos Wachowski, "Matrix". Sabe, não gostei muito do filme, e fui bastante repreendido pelos meus amigos. Houve quem me dissesse que eu não entendi a metáfora do "Mito da Caverna" platônico que havia ali. Sei lá... na verdade, achei tudo uma clássica baboseira hollywoodiana, com direito a gritos, correria e gente se retorcendo. Creio que a coisa ficou clara com as duas péssimas continuações. Hoje, olhando para trás, continuo não gostando muito do filme, mas, vai, faço algumas concessões à obra. Quem sabe não precisava de uma década para entender o espírito da época?

Quando paro e penso que 15 anos se foram, desde então, fico espantado com a passagem do tempo! Eu me formei, lancei livros, sofri um acidente de carro que quase me matou; vi dois afilhados crescerem. E estou aqui, vendo mais um ano nascer. Dizem que não é o tempo que passa: é a gente que passa por ele. Verdade ou não, mais que alguns cabelos brancos e uns princípios de rugas de expressão, eu me pego, hoje, tendo reminiscências. Sejam elas sobre apocalipses, "bugs" e um monte de coisas. Mas, o que quer que seja, só há uma coisa que nunca passa: a esperança de que dias melhores virão.
 

 

 

 

 

 

 
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