GERAL POLÍTICA POLÍCIA TURISMO CULTURA AGRONEGÓCIO ESPORTE SAÚDE CLASSIFICADOS EVENTOS GUIA COMERCIAL
BUSCA   
ESCOLHA SUA CIDADE 21 DE JANEIRO DE 2017

 

Palavra Crônica

Histórico

 

 

24/09/2014

Aeroporto - I

 

 



Adoro reparar em pessoas. Que posso fazer? Sou cronista. Gente é minha matéria prima. Confesso que, às vezes, detenho-me tanto em alguma que preciso até disfarçar. Tanto que, com o tempo, até desenvolvi algumas técnicas... Porém, como não olhar mais detidamente para quem quer que seja quando não se está no aeroporto? Nessas minhas últimas férias, enquanto esperava o voo de volta pra casa, fiz isso. E como cronista nunca sai de férias, peguei um livro para ler - e também me esconder - e fiquei olhando para quem passava na minha frente. Imaginando até os antecedentes de quem quer que fosse. Nem que para o meu deleite de escritor.

Pra começar, um grupo composto de piloto, copiloto e comissários de bordo. Gente que trabalha no aeroporto é elegante e arrumada. Tão iguaizinhos. Parecem ter a mesma cara e até a mesma idade. Principalmente as aeromoças. Mas o mais interessante são os passageiros, evidentemente. Fiquei imaginando quem eram, qual a nacionalidade, aonde iriam ou de onde chegariam, todos eles. Como aqueles dois rapazes, de camisa quadriculada, mesma altura, pinta de irmãos... devia ser de Goiânia. Dupla sertaneja. Algum show. Ou aquele homem de terno, gravata, ar compenetrado. Advogado. Melhor, pastor evangélico. Tinha ido para algum culto. Ou aquela loira linda que correspondia meus olhares. Devia ser... ah, sei lá! Devia era estar no meu voo, isso sim!

Confesso que nos meus julgamentos precipitados, cometi alguns erros, naturais, aliás, em julgamentos precipitados. Como o cara que eu pensei que fosse gringo. Um senhor alto, já meio curvado, muito branco, olhos azuis, corpulento. Calçado de sandália com meias. "Norte-americano, claro". Até pedir informação ao moço do aeroporto. Em português. Perfeito. "Deve morar há anos no Brasil". Até tirar uma carteira de identidade brasileira. "Ah, deve ter dupla nacionalidade, vai"!

Reparei também que muitos homens da minha idade estavam usando barba. Como eu. Até ler, folheando uma dessas revistas de aeroporto, que barba virou "tendência". Nem imaginava uma coisa dessas. Tenho uma teoria. Pra mim, barba é disfarce. Da polícia. Ou relaxo. De férias. Algo que não estava no roteiro, mas você acabou deixando. Por preguiça, mesmo. Como não cometi nenhum crime que eu saiba, o meu é o segundo caso. Aliás, no desejo de ficar diferente, acabei igual a todo mundo. Bom, não teria coragem de pintar o cabelo de loiro, por exemplo. Quero ficar diferente, não ridículo.

Por falar nisso, voltando àquela loira dos parágrafos anteriores, fico me perguntando por que ela foi a única que correspondeu aos meus olhares... Jovem, linda, elegante... Seria que, ao me ver, ela enxergou além? Coisas que ninguém perceberia? Como uma braguilha aberta, ou um cinto desalinhado, ou um cadarço desamarrado ou eu estar descabelado? Você sabe, né, leitor, quando a esmola é muita...

Fiquei imaginando a loira, o "gringo", a "dupla sertaneja", o "pastor", tudo no mesmo texto. Dava até uma crônica. Ou um romance, quem sabe? Só não dava pra perder o meu check in porque ele já estava pronto. Senão...
 

 

 

 

 

 

 
2017 (1)
 

Janeiro (1)

 

 

» A bagagem de ano novo...

2016 (19)
2015 (20)
2014 (11)

 





GERAL POLÍTICA POLÍCIA TURISMO CULTURA AGRONEGÓCIO ESPORTE SAÚDE CLASSIFICADOS EVENTOS GUIA COMERCIAL
BUSCA   
Termo de Uso | Política de Privacidade | Anúncios Publicitários | Contatos

© 2009 Montanhas Capixabas - Todos os direitos reservados