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25/08/2014

O Flamengo, os intelectuais e o perna de pau

 

 

Amigo leitor, eu confesso: sou Flamenguista. Não dos mais fanáticos, mas, certamente, dos mais simpáticos. Já escrevi, em alguns textos, que não passo de um perna de pau mas, convenhamos, pelo menos, sei torcer, né? E se você torce comigo, parabéns! Mas, senão, torça o nariz. É o que sempre acontece. Seguido da usual pergunta: "Mas você não é escritor?"
 
Que futebol e Literatura, de vez em quando, dão os braços, é fato. Ademais, como era de se imaginar, muitos escritores também foram ou são torcedores. Nesse quesito, no entanto, concordo: o Fluminense bate um bolão! São tricolores famosos os escritores Jô Soares, Nelson Motta, Chico Buarque de Hollanda, Nelson Rodrigues, Carlos Heitor Cony e Marcos Villaça. Tive um certo trabalho para encontrar autores rubro-negros. Só achei Roberto Assaf, José Lins do Rego e Ruy Castro. Como se flamenguistas não pudessem ser intelectuais. Ora bolas!
 
De fato, convenhamos: o Fluminense sempre foi mais "elitizado". O Flamengo é mais "povão", mesmo. Tenho um amigo que diz que, se os times fossem estilos musicais, o Fluminense seria um jazz; o Botafogo, bossa-nova; o Vasco, um rock; e o Flamengo, um "pancadão"! Porém, nem sempre foi assim: o campeão da Gávea era, como, aliás, todos os demais, um time de elite. Futebol era coisa de rico e racista: negro não jogava bola. Tanto que o jogador tricolor Carlos Alberto, que era mulato, jogava pó de arroz no rosto, para "disfarçar", nascendo disso o apelido do tricolor carioca.
 
A origem da "paixão rubro-negra" é controversa. Nascido em 1895, como um clube de regatas, o Flamengo só vai formar um time de futebol em 1912, com jogadores oriundos do Fluminense, logo, de classes mais abastadas. Segundo alguns pesquisadores, no entanto, o clube foi pioneiro em organizar verdadeiras "festas" quando de suas vitórias. Era o "carnaval rubro-negro", que ia ganhando adeptos, sobretudo nas classes menos favorecidas. Soma-se a isso toda uma mítica criada em torno do uniforme, o "manto sagrado", e o nascimento das transmissões de rádio. Pronto: estavam criadas as condições para que o time ganhasse adeptos de norte a sul do Brasil, com uma torcida de, aproximadamente, 40 milhões de pessoas. Nada mal para um clube que começou, no Século XIX, com uns 60 associados...
 
Essa torcida, também chamada de "nação", pois tem mais gente que muito país no globo, é considerada, pela Fifa, como a maior do mundo. Tanto que, pelo menos, aqui no Brasil, eu só consigo enxergar dois times: Flamengo e Antiflamengo. Há pessoas que, simplesmente, odeiam o "rubro-negro" e outros que sequer torcem para futebol, mas odeiam, mesmo assim. Natural: onde se despertam paixões, desperta-se, também, o ódio. Eu, por minha vez, preferi o amor. Preferi me irmanar a uma torcida apaixonada, que me dava uma sensação de pertencimento. Como gostava de ver o Zico jogando. Ele parecia infalível! Bem mais tarde, veio o Adriano, o "Imperador" e até o Ronaldinho Gaúcho, neste século em que o futebol anda menos poético e, infelizmente, mais comercial.
 
Enfim, amigo leitor, não torça o nariz para mim quando disser que sou flamenguista! Paixão não se explica! Tanto que, por exemplo, meu avô paterno, vascaíno doente, escreveu um extenso poema, esculhambando o Flamengo. Tenho tudo na caderneta do velho e, um dia, vou reproduzir. Afinal de contas, é tudo futebol, tudo festa. Ou deveria, pois, até hoje, não entendo por que tem gente que até mata por conta do desporto. Não deveria haver lugar para violência, racismo ou discriminação. De raça, origem ou time. Mesmo um time "povão" pode ter seus intelectuais. Ainda que seja um perna de pau como eu que, de longe, não tem o mesmo talento de um Castro, um Assaf ou um Lins do Rego, mas que, humildemente, empresta sua pena para engrossar as fileiras desta grande "nação rubro-negra".
 

 

 

 

 

Antonio Neto

30/08/2014
15h02

Interessante essa análise paixão fetebol X literatura. Por que não as duas paixôes?


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