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Palavra Crônica

Histórico

 

 

01/08/2014

Desejando a indesejada

 

 

 

Já dizia o provérbio português: "todos querem o céu, mas ninguém quer morrer". Tanto, que o poeta Manoel Bandeira chamou aquela que um dia vai nos encontrar de "a indesejada das gentes". O problema é quando se quer desejar a indesejada, abreviando, por conta própria, esse encontro. Porque, se toda regra tem exceção, com essa também não seria diferente. Infelizmente.

 
É isso mesmo, leitor. Afeito a temas amenos, resolvi tocar o dedo na ferida. Tudo isso porque, horrorizado, recebi, pelo celular, um vídeo de alguém que havia acabado de cometer o desatino. Além de fotos, do antes. O durante ficaria por conta da imaginação de quem recebesse o arquivo. Só me pergunto se se deu tempo de filmar a coisa, por que não tentaram impedir a pessoa? Ou será que vale mais o mórbido espetáculo?
 
Quem pensa abreviar seus tempos elege sempre uma forma ou local. Dizem que em Berlim há uma estação de trem para isso. Aqui em Vitória há uma enorme ponte, preferida dos que se decidem pelo ato. Antes dela, porém, o local era o terraço de dois prédios do Centro. Sobre um deles, aliás, o trágico conseguiu ser cômico: foi quando um cidadão, arriscando um voo para a eternidade, calculou mal a queda, bateu em uma fiação e acabou caindo sobre o teto de uma Belina, carro da época. Não morreu não, mas, quase que o dono do carro termina o "serviço" pra ele...
 
A relação entre os povos e o tema é outro caso à parte. Na nossa cultura judaico-cristã, abreviar-se os tempos é terminantemente proibido. Tanto que os cemitérios não aceitavam quem o houvesse feito. No Brasil, a antiga legislação penal punia com cadeia quem cometesse o ato... e sobrevivesse, obviamente. Hoje, só quem instiga pode ser preso. É isso mesmo: gritar "Pula! Pula!", é crime. E, falando nisso, muitos parlamentares japoneses preferem o harakiri, ritual para abreviar a própria vida, a ir para a cadeia, por corrupção. Imagine só se isso acontecesse no Brasil?
 
Dizem que a média, aqui na Capital, é de um salto por dia. Acho a estatística exagerada, mas nem um pouco surreal. Arrisco meu palpite: esse mundo cão está uma fábrica de loucos! As pessoas estão cada vez mais fechadas em seu universo particular, nos seus computadores, nos seus celulares, nas redes sociais, de tal maneira que elas estão se deprimindo, se desconectando da realidade. Estamos vivendo em um mundo de fantasia. Todos queremos ter o carro da moda, a casa da moda, o corpo da moda... Só que nem todo mundo vai ter. E aí, quem não é forte o suficiente, pula.
 
É claro que o tema é muito complexo. Não sou psicólogo, nem psiquiatra. Sou apenas um cronista e um cidadão ainda horrorizado com os tons de espetáculo que aquele salto ganhou. Tudo bem próprio do nosso tempo. Esse tempo em que as pessoas preferem fotografar o horror ao invés de dar a mão. Há muito de simbólico nisso. Pois, o dia em que aprendermos a ser mais solidários e menos egoístas, certamente, muito menos gente preferirá desejar a indesejada das gentes.
 

 

 

 

 

 

 
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