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Palavra Crônica

Histórico

 

 

13/05/2014

Adriano Assassino

 

 

 

Disse uma vez o escritor Ariano Suassuna que, logo depois de ganhar um computador, ficou intrigado com aquela "cobrinha" vermelha, embaixo de seu nome. Corriam os anos 1990 e as pessoas, principalmente as mais velhas, ainda não estavam afeitas com a tecnologia que aposentaria, de vez, as máquinas de escrever. Instruído de que se tratava de um corretor automático, o escritor clicou nas opções de seu nome: Ariano virou Adriano. E Suassuna virou Assassino. Adriano Assassino. O autor afirma que quase voltou para sua antiga máquina!

 
Corretores ortográficos foram, de fato, criados para auxiliar a vida da gente, como tudo, aliás, no mundo da informática. E, também como tudo em informática, o feitiço pode virar contra o feiticeiro. Realmente, é muito mais cômodo clicar na "cobrinha vermelha" quando se está em dúvida. Para palavras mais "complicadas" como "exsudar", "sucinto", "muçarela", "exceção" ou outras, o negócio é uma mão na roda. Eu mesmo confesso um "pecado ortográfico": já me embolei muito entre "extenso" e "estender".  Se não fosse a "cobrinha vermelha", já teria escrito muita coisa errada.
 
O problema é que nem sempre o dicionário do editor de texto é confiável. Há palavras cuja grafia é muito parecida e que, uma vez escritas, são tidas como certas, pois estão ortograficamente corretas, apesar do sentido. É quando vejo coisas do tipo: "ele esta bem". Ou "Isso não e coisa seria". Aliás, acentos são fundamentais. E há quem teime em não usá-los. Ou usá-los em demasia. Já vi muita gente que ainda escreve "côco" ou invés de "coco". E já vi quem escreva "cocô" pensando ser o fruto. E tome "agua de cocô". Não bebo nem se bater em mim. Eca!
 
Pior que os corretores do computador são os do celular. Por um único motivo: eles sugerem palavras e, pior, às vezes, "escrevem" para a gente, sem que peçamos. Em Vitória há uma praia chamada Camburi. Haveria um show da banda de metal Sepultura por lá. Fui convidar um amigo, por torpedo, e a mensagem saiu hilária: "Estou na praia de 'Canguru'". O problema é quando a frase sai meio, digamos, "pesada". Fico de olho, por exemplo, na palavra "pai". Não poucas vezes ela é trocada por "pau". Imagine só como ficaria a frase "Estou levando meu pai"?
 
Ainda sobre corretores de celular, mais uma vez, temos o problema dos acentos. Eu fico fulo da vida quando eles resolvem acentuar ou removê-los das palavras. Meu atual aparelho, por exemplo, não tem a opção "é". Cansei de mandar coisas do tipo: "Ela e bonita". Comecei a escrever "eh", mas achei tão feio que desisti. Foi quando tive uma ideia: escrever "és" e voltar para tirar o "s". Deu certo, mas é um malabarismo. O problema é que o aparelho "entende" que tudo deva ser acentuado. Daí saem coisas como "O livro dá menina" ou "Aí, que medo". Medo, mesmo. De passar de ignorante.
 
Por falar no Ariano, eu também, logo que ganhei um computador com corretor automático, resolvi clicar embaixo do meu nome. No lugar de Anaximandro, encontrei "Enxameando"; e, no lugar de Amorim, encontrei "Morim", um tipo de tecido. "Enxameando o morim". Com direito a gerundismo e tudo mais! Bom, pelo menos, não virei "assassino", né? Passei adiante e continuei meu texto. Afinal de contas, conhecer as regras da língua portuguesa ainda é o melhor corretor ortográfico que já inventaram.
 

 

 

 

 

Antonio Neto

16/08/2014
16h06

Ariano Suassuna, você faz falta!!!


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