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07/08/2015

O eleitorado que não ousa dizer o seu nome

 

 



Ano passado pude pela primeira vez exercer minha cidadania nas urnas. Jovem idealista, adepto aos ideários de esquerda, estudante de Direito, confiei à presidente Dilma envergar, mais uma vez, a função de Chefe do Executivo Nacional. Nesta escolha não estive só. Mais de 54 milhões de brasileiros confirmaram o número “13” nas urnas.

Em 2014, as redes sociais inflamaram-se, como nunca, de acalorados debates entre petistas e tucanos. Os defensores da bandeira vermelha combatiam ferozmente, através de números e lampejos históricos, as críticas feitas pelos eleitores do candidato Aécio Neves, bem como exteriorizavam os motivos de tal opção. Na atual conjuntura, em momento de instabilidade econômica, crise entre Planalto e Congresso, burburinhos de impeachment, o eleitorado do Partido dos Trabalhadores “não ousa dizer o seu nome”. 

O principal motivo para o anonimato de milhões de brasileiros é o medo. Hoje, quem declara ao léu sua opinião pró-Dilma é considerado, por grande parte da parcela vencida no escrutínio, traidor da pátria.  Afinal, quem votou no PT é “petralha”, “ladrão”, “conivente”, “alienado” e “bolivariano”. Chegamos a um déficit civilizatório em que, por exercitarmos a democracia, a livre escolha, corremos o risco de sofrermos agressões verbais e até, em última instância, físicas. Por tal razão, os sufragistas vencedores não assumem suas faces. 

Ninguém pode ser considerado desonesto, corrupto, cúmplice por defender tal corrente, tal partido, tal candidato. Ao revés, são as diferenças de opinião e escolha agregadas ao respeito de toda coletividade pelos direitos individuais que fortalecem a política no Estado Democrático de Direito.

Numa democracia como a nossa, restituída pela coragem de homens e mulheres que se sacrificaram pela liberdade, garantida pela Constituição de 1988, não se pode admitir a transgressão, a violência, o desrespeito àqueles que exerceram seus direitos constitucionais nas urnas e ainda exercem nas palavras. Num Estado que cultua a dignidade humana; a forma federativa; a separação dos poderes; os direitos e garantias individuais e, o voto direto, secreto, universal e periódico não há espaço para a censura e a intolerância. 

Mais do que nunca se torna imorredoura a lição atribuída a Voltaire por Evelyn Beatrice Hall: “Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las”.

Já o eleitorado que não ousa dizer o seu nome precisa da coragem de Oscar Wilde que um dia, tomado por amor e espírito progressivo assumiusua verdadeira identidade. 
 
 


O Montanhas Capixabas adverte que a opinião do colunista expressada no texto acima é pessoal e pode não representar a opinião da empresa ou de seus editores.
 

 

 

 

 

 

 
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