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História

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08/04/2010

Festa da Penha - 440 anos

 

 

 

 

A Festa da Penha não é recordista de público no Brasil, mas é a festa religiosa mais tradicional das Américas. Acontece há 440 anos, desde 1570. Falhou apenas dois anos (1938 e 1939), proibida na fase mais negra da ditadura de Getúlio Vargas.

 

Quando Frei Pedro Palácios chegou ao Espírito Santo em 1558, conventos gozavam de enorme prestígio. Dois anos antes Carlos V, o maior líder político do mundo naquele tempo, Imperador do Sacro Império Romano, havia abdicado em favor de seu irmão e filhos. Viúvo, retirou-se da vida pública, ingressando num convento.

 

Para celebrar a primeira festa, Pedro Palácios mandou buscar em Portugal a imagem de Nossa Senhora da Penha, ainda venerada no altar-mor. Em uma caixa chegaram a cabeça, as mãos e o Menino Jesus. O frei improvisou o corpo com madeira da mata, vestido e manto

 

Em 1653, o Menino foi levado por saqueadores holandeses. Só voltou ao Colo da mãe após entendimento com Pernambuco, local onde foi abandonado pelos sequestradores.

 

As principais obras, conferindo à igreja imponência de castelo, foram realizadas do séc. XVII ao XIX, a expensas do fluminense Salvador Correa de Sá e Benevides. Em 1652, ele fez doação de ordinária anual de trinta cabeças de gado, mantida por seus descendentes até 1846. Em agradecimento, o Prelado-Mor da Bahia concedeu-lhe e aos descendentes o título de Padroeiros Venturosos do Convento. Durante quase 200 anos os festejos da Penha só começavam com a chegada da Romaria de Campos, vinda por mar.

 

O Convento alcançou o aspecto atual no princípio do séc. XX, quando ganhou (após tombamento pelo IPHAN) a grande chaminé da fachada norte.

 

O altar-mor, em mármore de Carrara, foi benefício do paulista Cícero Bastos ao genro, governador Jerônimo Monteiro, autor do Veto da Penha (vetou, em decorrência da Constituição Republicana que separou a igreja do Estado, uma ajuda financeira ao Convento, aprovada na Assembléia Legislativa e apoiada pelo povo). A decisão foi dificílima e causou discussão. O Bispo do Espírito Santo era seu irmão e conselheiro.

 

 

 

 

Na preparação do altar para a inauguração (1910), a família do governador tomou para si o encargo. Quando foram arrumar a imagem de Nossa Senhora da Penha, viram que ela estava careca. Havia sobre sua cabeça apenas lenço e coroa. Uma cabeleira foi providenciada: cortaram as tranças de uma das sobrinhas do governador. A menina chorou, mas foi consolada pela babá que garantiu: “Não chore minha fia. Você deu o cabelo, ela lhe dará boa cabeça”.

 

A menina era Maria Stella de Novaes, nossa cientista maior, historiadora, escritora, educadora, pintora e iniciadora de Augusto Ruschi nos mistérios das orquídeas, o que o levou aos (polinizadores) beija-flores e daí à ecologia.

 

São diferentes os motivos que conduzem ao Convento da Penha. Prevalece o espírito religioso buscando um lugar para orar. Alguns sobem o morro para apreciar belas paisagens; outros buscam referências geográficas para facilitar seus movimentos nas cidades próximas. Estudiosos e curiosos apreciam a arquitetura, esculturas e pinturas.

 

Entre as pinturas destaca-se N. S. das Alegrias, tela que há mais tempo está exposta ao público nas Américas. Provavelmente obra do Mestre de Santa Auta (Portugal), trazida por Pedro Palácios em 1558.

 

O Convento e a panela de barro são símbolos da nossa cultura. Com frigideira, peixe e temperos, a moqueca poca em qualquer lugar. O Convento, nós temos. Que ir lá? Em dia de festa, melhor ainda...

 

 

 

 

 

Miguel dos Santos

09/04/2010
15h46

Que interessante! Não sabia que a Festa da Penha era a festa religiosa mais tradicional das Américas. Parabéns pelas excelentes informações de história!


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Joel Guilherme Velten

09/04/2010
20h22

Boa noite Kleber, Também não sabia do fato de ser a Festa da Penha a mais tradicional das Américas.Vivendo e aprendendo! Li em registros históricos do Convento da Penha que o Frei Pedro Palácios trouxe consigo um quadro de N.S. das Alegrias e que aqui ela mudou de nome e passou a ser N.S. da Penha. Com certeza por ser penha , pedra em latim.Isto? Com relação a D.Maria Stela de Novaes, você sabia que a coleção dela de Malacologia está na Casa da Cultura de Domingos Martins e que é uma curiosidade para os turistas que nos visitam e principalmente estrangeiros? Dentro de uma das conchas existe uma pintura de um navio que com certeza foi feita por ela. Também estão aqui na Casa da Cultura algumas pinturas de orquídeas feitas por ela. Essas pinturas foram doadas por ela ao Sr. rRoberto Anselmo Kautsky que sempre me fala que D.stela foi sua professora e uma das responsáveis pelo seu amor ao estudo dessa flor tão admirada no mundo e principalmente pelos homens. Fiquei alegre em tê-lo como um colaborador desta coluna da qual fui convidado para ser o colunista responsável. Acho o Convento da Penha uma das mais belas obras realizadas no Brasil. Ele é com certeza a cara do Espírito Santo.É para os capixabas o que o Corcovado é para os cariocas.


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Kleber Galvêas

12/04/2010
14h16

Prezado Joel, fico feliz por sua atenção e por revelar interesse pelas coisas da nossa terra. O quadro de NS. das Alegrias ou NS. dos Prazeres, foi trazido por Frei Pedro Palácios em 1558 e continua no Convento, junto com 2 cópias dele feitas por Benedito Calixto (pintor paulista, morto em 1912). A Nossa Senhora ali representada sugere as alegrias da mãe de Jesus e continua com este título. Para a primeira festa 1570, o frei mandou vir de Portugal a imagem de NS. da PEÑA. Essa titulação de Nossa Senhora foi dada a uma imagem encontrada em uma gruta no alto da Serra de França, próxima a Salamanca na Espanha, região onde o Frei Pedro Palácios nasceu e sugere as penas ou sofrimentos da mãe de Jesus. Na ladeira antiga do Convento, com sete curvas, antigamente (1960/70) cada curva tinha uma cruz com inscrição de uma das sete dores ou sofrimentos da mãe de Jesus. Veja que curioso: enquanto o título da tela evoca alegria o da imagem sugere tristeza. Todas duas escolhidas por Frei Pedro Palácios. Fui a última pessoa a entrevistar D. Stelinha. Nesta oportunidade ela me mostrou a coleção de aquarelas que havia feito para uma exposição na Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, umas 20 pinturas. Sempre estive preocupado com o destino dessa obra pois a conservação de pinturas em papel é muito difícil aqui no nosso Estado. Fiquei feliz em saber que está em boas mãos. Morou em casa de D. Stelinha o Luiz Augusto Mill, cidadão aí de Domingos Martins e que foi meu colega no curso de Economia, na Ufes, anos 70. Ele deve ter boas informações. A última vez que o vi, foi no enterro de D. Stelinha. Acho que seria um bom contato para enriquecer o acervo do museu. Vindo a Vitória, estique até a Barra do Jucu e venha para um café amigo. Abraço, Kleber.


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