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História

Histórico

 

 

31/03/2010

A Alemanha de 1815 a 1866 (Deutschland von 1815 bis 1866)

 

 

 

 

 

O Império Austríaco comandava os reinos da Prússia e Baviera no período de 1815 a 1866. (clique aqui para ver o mapa onde aparece o Reino da Prússia, em cor azul)

 

A Pomerânea e a Região do Hunsrück, hoje Estado de Rheinland-Pfalz, eram governadas pelos prussianos, que chegaram nas Colônias de Santa Isabel em 1847 e 1859 e Santa Leopoldina em 1859 até 1871. Estes últimos da Pomerânea, também eram da região da Prússia até 1871, quando houve a unificação dos Estados Confederados da Alemanha, formando assim o que hoje conhecemos como Alemanha.

 

De 1871 a 1918, a Alemanha era conhecida como Deutches Reich (Império Alemão). Veja o mapa onde figuram ao nordeste, Pommern, Westpreussen e Ostpreussen. (clique aqui)

 

Portanto, está bem claro que a Pomerânea nunca foi um país e sim uma província do Reinado da Prússia, que, com a unificação com o Reinado da Baviera em 1871, tornou-se a Alemanha. Temos que diferenciar cidadania de cultura. Há quem diga que pomerano não é alemão. Entendo que seria a mesma coisa dizer que capixaba não é brasileiro. Todos nós capixabas, mineiros, baianos ou gaúchos somos brasileiros, porém, cada Estado tem o seu gentílico e não existe em nosso país dialetos como na Alemanha e Itália, o que distingue as culturas.

 

Por exemplo, na Alemanha existem vários dialetos como o Platt Deutsch, que é falado nas regiões planas no norte da Alemanha e, trazido para o Espírito Santo, principalmente em Domingos Martins e Santa Maria de Jetibá. No Estado da Baviera, região alta da Alemanha, é muito comum ouvir o Bayerisch e outros dialetos. Muitos se confundem achando que o Hoch Deutsch significa um termo pejorativo ao Platt Deutsch. Isto não procede. Não significa que o Platt Deutsch é um alemão baixo no sentido obsceno. Platt e Hoch significavam as línguas faladas nas regiões baixa e alta do país. No sul do Brasil podemos ouvir esses dialetos devido aos alemães do sul que se radicaram em Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Sobre o dialeto, apesar de ser uma variante da língua, como é o caso do pomerano, há lingüístas que o consideram uma outra língua, o que não está errado. Veja página 68, item 3, da obra “Introdução aos Estudos Lingüístico” de Francisco da Silva Borba-3ª edição-1973.

 

Não é o caso do Brasi,l onde se diferencia o português de cada região através do sotaque. Percebe-se perfeitamente quem é do sul e do nordeste, mas, todos se entendem perfeitamente. Algumas palavras e expressões regionais são ouvidas. Por exemplo, em Porto Alegre, torrada = misto quente, auto = carro. Geralmente se ouve as pessoas perguntarem assim: "Você tem auto?" No nordeste, jerimum é abóbora. No Espírito Santo existe um verbo típico capixaba que é pocar = espocar. “A fruta caiu e pocou”. Brasileiros de outras regiões acham engraçado quando nos expressamos assim.

 

Também as culturas, no que se refere ao folclore e gastronomia, são diferentes. Vamos bem aos extremos. O gaúcho tem uma gastronomia regional bem diferente do baiano. Qual o gaúcho que tem costume de comer vatapá ou acarajé? No que se refere ao folclore, o traje típico gaúcho não tem nada a ver com o baiano, mas nada impede que represente o Brasil. Muito simples, então, diferenciar cultura de cidadania. Hoje, por exemplo, não mais existe Iugoslavo. Muitos húngaros que chegaram aqui no final do século XIX, como o meu avô Franz Anton Feigl, hoje sua cidadania seria Sérvio, porque sua cidade natal foi Weisskirch, Igreja Branca, na Hungria, depois Yugoslávia e hoje se chama Bela Kcrava, Igreja Bela ou bela Igreja, na Sérvia. 

 

Verifique o mapa das Alemanhas Ocidental e Oriental (clicando aqui) e o atual, onde já aparecem as Alemanhas unificadas desde 1989 (aqui).

 

Fiz este artigo para esclarecer, principalmente aos estudantes, que não existe alemão e pomerano, assim como não existe capixaba e brasileiro. Todos são alemães como todos são brasileiros. Quem nasce, ou nasceu, na antiga Prússia e atual Alemanha, hoje é cidadão alemão. Se a Pomerânia não é Alemanha, como o Governo Alemão poderia conceder cidadania alemã a quem se diz ser pomerano e não alemão?

 

Outro dia assisti através do YouTube uma entrevista dada por um funcionário de uma Secretaria de Cultura de um dos municípios de colonização alemã, na qual o jornalista da TV Gazeta perguntava qual o motivo que trouxe os pomeranos para o Espírito Santo. Fiquei assustado quando o entrevistado respondeu que aqueles imigrantes chegaram aqui após a II guerra mundial devido terem sido rejeitados pelos alemães. 1º: Como um povo pode ser rejeitado pelo próprio país? 2º: Se em 2009 comemorou-se os 150 anos da chegada desses imigrantes ao Espírito Santo, como eles chegaram aqui para colonizar as terras após 1945? Contraditório, não é?

 

Seria bom que fosse feita uma retificação na matéria ou tirar isto do ar. Entende-se que o entrevistado deveria se informar mais da história da colonização alemã em terra capixaba.

 

Espero que com este esclarecimento fique melhor entendida esta polêmica entre ser pomerano ou alemão. Somos todos descendentes de prussianos, pomeranos ou hunsrücker, que se tornaram alemães. Para o sul, além destes, foram os bávaros que antes da unificação da Alemanha eram do Königreich Bayern (Reinado da Baviera).

 

Você também pode ver o artigo traduzido para o alemão, clicando AQUI.

 

 

Bibliografia:

 

Descobrindo Raizes - Helmar Reinhard Roelke. 1996

A Colonização Alemã no Espírito Santo - Ernst Wagemann – 1949 (Publicado em Alemão em Munique e Leipzig 1915)

Viagem à Província do Espírito Santo - Johan Jakob Tschudi – 1860 (Colonização Suíça no E. Santo)

A Colonização no Espírito Santo – Jean Roche. 1968

Pesquisas da História da Alemanha - Selma Braun

Google - "Alemanha 1815-1866"

Google Mapas – Alemanha dividida e Alemanha atual

Pesquisas em arquivos públicos e igrejas da Alemanha em Berlin, Rostock, Velten (Na antiga Alemanha Oriental). Lötzbeuren, Traben-Trarbach, Gemünden, Koblenz, Kirchberg, Simmern etc (Alemanha Ocidental)

 

 

 

 

 

Helmut Meyerfreund

31/03/2010
16h29

Meu caro Joel, Estamos totalmente de acordo com você que os pomeranos sempre foram alemães e os que vieram para o Brasil, como os alemães do Hunsrück. Chegaram ao nosso pais para trabalhar duro, contribuindo assim com o desenvolvimento da nova pátria. É o caso também do meu pai que veio para o Espírito Santo em 1921, três anos após a Primeira Guerra Mundial e aqui se estabeleceu com sucesso e criou muitos empregos para muitos capixabas. A Fábrica Garoto. Na Segunda Guerra Mundial os pomeranos sofreram muito com o avanço das tropas russas pela Polônia, que chegaram até Berlin, que foi muito destruida. Os pomeranos que se salvaram foram morar em várias regiões de outros estados alemães, mas principalmente em Mecklenburg Vorpommern, que hoje faz fronteira com a Polônia. Sua matéria está perfeita e a tradução da Sra. Selma Braun também. Nossos parabéns. Gostamos muito. Aprendemos mais ainda sobre a história da Alemanha, que passou por duas terríveis guerras, perderam territórios e muito sofrimento para seu povo. Gostamos muito dos mapas. Adoramos o seu trabalho e lhe desejamos uma feliz Páscoa. Helmut e Helena Meyfreund


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Helmar

31/03/2010
16h34

Estimado Joel: Algumas considerações: 1) Com o Congresso de Viena (1814 a 1815), após a vitória sobre Napoleão, redesenhou-se o mapa da Europa, a partir da nova ordem política que se estabelecera. A Liga Alemã que substituiu o antigo Império, era uma união de estados soberanos, que tinha a Dieta de Frankfurt como uma espécie de parlamento, porém, não com delegados eleitos. Os estados indicavam os seus delegados. Importante é observar, que a Liga Alemã só tinha capacidadede ações, quando as duas grandes potências, Prússia e Austria concordavam. Portanto, havia duas potências. 2) Após a Guerra Franco Alemã (1870-1871), os estados do sul da Alemanha se uniram na Liga Stentrional Alemã, constituindo assim o Império Alemão, ou o Reich. Tudo culminou com o rei da Prússia, Guilhreme I, sendo procalamdo imperador da Alemanha em 18 de janeiro de 1871, em Versalhes. 3) O artigo é direto, conciso, pedagógico. São essas as minhas observações. Um abraço, Helmar


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Joel Guilherme Velten

31/03/2010
16h40

Meu grande amigo Dr. Helmut, Um parecer do senhor é um enorme respaldo para esta matéria porque como Ex-Cônsul Honorário da República Federal da Alemanha no E.Santo significa que a matéria que publico aqui merece o respeito de todos os leitores desta coluna. O senhor como grande cônsul que foi, durante mais de 15 anos,merece o nosso respeito pela sua capacidade que depois do Herr Heinrich Meyerfreund, seu pai, foi o grande responsável pelo sucesso da Indústria de Chocolates Garoto que levou o nome de nossa terra para várias parte do mundo. Com certeza o Chocolate garoto é hoje a cara do Estado do Espírito Santo. Aproveito a oportunidade de mais uma vez agradecer ao senhor todo o apoio que nos deu e ainda continua dando aos trabalhos de resgate e preservação da cultura alemã, não sé em Domingos Martins, como também em outras colônias alemãs em terra capixaba. Vielen danken für alles. Fröhliche Ostern!!! Joel Guilherme Velten


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Dorio Nascimento

31/03/2010
17h29

Caro Joel, Gostei muito da matéria cima. muito bem explicada. Muita coisa foi esclarecida e só não aprende quem não quer. Gostaria que me explicasse o motivo por uqe o pomeranio não tem escrita e nem gramática. Como pode isso? Abraços e meu parabéns pela matéria professor.


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Silvio Rockenbach - SC

01/04/2010
06h24

Senhor Joel, Com certeza publicaremos a sua matéria no site www.neuesbrasilalemanha.com.br pelo seu grande valor histórico. Silvio Rockenbach


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Joel Guilherme Velten

01/04/2010
12h28

Senhor Dório, A informação que sempre tive é que dialetos, cada um escreve da maneira que entende.A história da língua alemã, por exemplo, é interessante. Martin Lutero ao traduzir a bíblia par o seu povo, usou um dialeto falado na Alemanha e utilizou a gramática latina para dar forma à língua. Creio que por esta razão a língua alemã é tão difícil e cheia de declinações com é o latim.Posso sugerir aqui o Pastor Helmar Rölke que, na minha opinião, tem grande conhecimento à respeito deste assunto. o E-mail dele é hrrolke@yahoo.com.br Espero ter lhe ajudado.


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Álvaro Gumz

19/03/2011
10h35

GOSTEI DA METÉRIA,,,ACHEI BEM ESCLARECEDORA..MORO EM LAGINHA-PANCAS ESPIRITO SANTO,UMA COLONIA GERMÃNICA E Q MUITOS INSISTEM EM CHAMAR DE POMERANA.MUITAS PESSOAS NÃO SABEM DIFERENCIAR CULTURA DE NACIONALIDADE E ACABAM INTERPRETANDO SITUAÇÕES E INFORMAÇÕES DE FORMA ERRADA.MUITO BEM ESCLARECDIO...PARABÉNS...


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Erik David Antonio

07/09/2016
12h56

Realmente as pessoas confundem Joel, Pomerano é alemão. Meu nome é Erik e minha família os "Anton e Dick" vieram do sudoeste da Alemanha em 1827, na 1ª imigração e colonização de alemães em Santo Amaro, São Paulo decretada por Dom Pedro I. Vieram da província de Bosenbach, Renânia-Palatinado, que não era unificada pois sofria sobre o domínio da França de Napoleão Bonaparte. Os escribas não entendia a língua falada, e redigiam os nomes e sobrenomes de qualquer forma. Todos os documentos de 1740 a 1810 que possuo são escritos em francês. Blog: http://teuto-brasileiro.blogspot.com/2016/08/emigracao-das-familias-pioneiras-de.html Site: http://erikfranguellifele.wixsite.com/meusite Grato!


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Erik David Antonio

07/09/2016
15h18

MAPA MOSTRANDO O DOMÍNIO FRANCÊS NA REGIÃO APÓS 1945 DA 2ª GUERRA MUNDIAL. O MESMO QUE ACONTECEU NA ÉPOCA DE NAPOLEÃO BONAPARTE EM 1814. https://www.google.com.br/search?q=mapa+da+alemanha+oriental&espv=2&biw=1366&bih=643&tbm=isch&imgil=m756meRBDQkJbM%253A%253BPLQ9M2aSF5FxhM%253Bhttp%25253A%25252F%25252Fwww.montanhascapixabas.com.br%25252F%25253Fx%2525253Dcoluna%25252526codColuna%2525253D15%25252526codPost%2525253D66&source=iu&pf=m&fir=m756meRBDQkJbM%253A%252CPLQ9M2aSF5FxhM%252C_&usg=__K9q3rNRAlcQvSNQlTKyD86Z20ZE%3D&ved=0ahUKEwjF9qPQ4_3OAhUBHZAKHR-uAIIQyjcIKw&ei=_U3QV4WEHYG6wASf3IKQCA#imgrc=fNoNSPT4Phm6cM%3A


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Cintia Jussara Brach de Camargo

27/09/2016
18h51

Boa noite Sr Joel, gostei muito do seu texto e principalmente da parte onde o senhor fala a respeito da cidade do seu avô. Tenho essa curiosidade sobre meus antepassados, gostaria de saber onde fica hoje a cidade onde viveram. Segundo os registros que tenho trisavô saiu de Coppelberg na Pomerânia em 1880. Existe algum site ou livro que me diga que cidade é essa hoje? Já fiz buscas na internet e não localizei. Agradeço por seu tempo.


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