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História

Histórico

 

 

31/05/2010

Domingos Martins e a antiga estrada de Minas Gerais

 

 

 
 
Em 1814, governava a Província do Espírito Santo o português Francisco Alberto Rubim, que foi o fundador do povoado de Viana, para onde encaminhou os primeiros colonos das Ilhas dos Açores. 
 
Rubim compreendeu que o problema da colonização estava intimamente ligado ao do transporte. Inútil seria interiorizar o colono, fazê-lo produzir e abandoná-lo à própria sorte.
 
D. João VI, quando se mudou para o Brasil, recomendava aos governadores das capitanias que se abrissem estradas para facilitar o intercâmbio comercial e é esta a razão do interesse entre Minas Gerais e Espírito Santo. 
 
Depois de pacientes estudos, em agosto de 1814, iniciou-se a construção da estrada para Mariana e Vila Rica, hoje Ouro Preto, numa extensão de 72 léguas. Mata fechada, serras conjugadas e vales profundos e retorcidos, por onde os índios Botocudos trilhavam suas astutas caçadas. 
 
A estrada começava em Santa Leopoldina, mas até lá o transporte era através do Rio Santa Maria e os barcos partiam da Ilha das Caieiras, em Vitória, onde este rio desemboca. 
 
Depois de Santa Leopoldina, ela seguia pela serra, de onde partia um ramal do Morro do Chapéu e passava por Campinho, Borba em Viana e ia até o Porto Velho que ficava localizado próximo onde hoje se situa a Estação Pedro Nolasco e que foi de onde D. Pedro II iniciou a sua viagem para a Colônia de Santa Isabel, em 30 de janeiro de 1860, conforme consta da página 76 do livro Viagem de D. Pedro II ao Espírito Santo, cujo autor é Levi Rocha, onde constam diários de D. Pedro II: 
 
“30-01-1860 6 ¼ - Embarque na galeota - Porto Velho 7 menos 20. Nesse pequeno porto, um modesto arraial, à margem leste da baía, no chamado Lameirão, ponto de partida de uma antiga estrada para Minas, uma comitiva aguardava Sua Majestade para o trajeto a cavalo. Dia da saída para a Colônia de Santa Isabel”. 
 
A referida estrada era conhecida como estrada do Rubim. Depois da independência, recebeu o nome de Estrada de São Pedro de Alcântara, em homenagem ao Imperador D. Pedro I. 
 
Com a instalação das colônias alemãs de Santa Isabel e Santa Leopoldina, era conhecida pelos colonos como Minasstrot, o que até hoje se ouve na região de Melgaço, distrito de Domingos Martins. Era um picadão aberto a foice e machado com estivas e pontes de madeira, algumas importantes como se vê na foto entre Viana e Domingos Martins, hoje ponte da BR 262. 
 
 
 
Ponte sobre o Rio Jucu, no mesmo local onde hoje encontra-se a ponte
a BR 262, entre Domingos Martins e Viana. Embaixo vê-se um
trechinho da estrada de Minas e uma casa ao lado
 
 
Foram várias pontes construídas sobre o Rio Jucu e também sobre o Rio José Pedro em Minas Gerais. A Rodovia BR 262 interceptou-lhe o traçado várias vezes. Para a proteção dos transeuntes, na época da construção em 1814, o Governo Imperial determinou a instalação de dez quartéis-sentinelas para o oeste Espíritossantense que foram: Borba em Viana, Melgaço e Barcelos, em Domingos Martins, Ourém e Viçosa nas vertentes do Jucu, Conceição do Norte e Sousa nas cabeceiras do Braço Norte, formador do Itapemerim, próximo a Iúna. Depois vinha o Chaves. Na descida da Serra do Caparão, situava-se o de Santa Cruz e, por último, o do Príncipe na margem direita do Rio José Pedro.
 
 
Propriedade do colono Adam Waiandt 
 
 
Em 22 de julho de 1820, quando o mineiro Antônio Alexandro Eloi de Carvalho chegou com a primeira boiada ao Porto de Itacibá, ou seja, Porto Velho, marcava assim o término da construção e o início do comércio entre as duas capitanias limítrofes. Com certeza, esta boiada passou por onde hoje encontra-se a Avenida Presidente Vargas, em Domingos Martins, porque seria impossível a boiada descer de barco até as Ilhas das Caieiras. 
 
Como Vitória não tinha consumo de carne que justificasse a caminhada e a importação de sal para Mariana e Vila Rica, Ouro Preto, não atingia o volume necessário, as condições econômicas e comerciais entre Minas Gerais e Espírito Santo não alimentaram o tráfego da estrada e a partir de 1832 o caminho foi desativado. No entanto, até os primeiros anos do século XX, a estrada foi muito utilizada por mineiros e capixabas.
 
Com certeza, a primeira boiada com destino a Vitória passou por Campinho em 1820 através do Morro do Chapéu até Itacibá no Porto Velho. Entre o Morro do Chapéu e Campinho, nas proximidades de São Miguel, existe uma cascata ao lado da residência da família de Eugênio Santana, que era conhecida como Cascata de São Pedro de Alcântara. 
 
Conforme registros em escrituras da época, essa cascata consta como limites em propriedades. O Sr. Humberto Stein, residente em Pedra Branca, tem informações de que a estrada passava ao lado da cascata, seguia em direção à Serra da Lama, também conhecida como Pirão sem Sal, passando por propriedade da família Espíndula e seguia até Melgacinho, onde se encontrava com a principal que partia de Santa Leopoldina. 
 
Ainda há vestígios desse caminho em Pedra Branca. As primeiras famílias a se estabelecerem em Melgaço e circunvizinhança foram os Pereira e os Espíndula, provenientes de Ponte Nova e Urucrânia, em Minas Gerais.
 
Em 1846, D. Pedro II baixou um decreto recrutando colonos europeus para as terras brasileiras com o objetivo de plantar café. Devido a sua amizade com o então Presidente do Espírito Santo, Dr. Luís Pedreira do Couto Ferraz, fundaram, à margem da referida estrada, a colônia de Santa Isabel, onde se instalaram 39 famílias originárias da Região do Hunsrück, na Alemanha, num total de 163 pessoas. 
 
Os colonos alemães chegaram a Vitória no dia 21 de dezembro de 1846 e em 27 de janeiro de 1847 se estabeleceram na colônia para eles criada. Cada colono recebeu 200 braças de testada e 600 de fundo. Logo a Colônia prosperou e fez com que, dez anos depois, D. Pedro II fundasse a Colônia de Santa Leopoldina.
 
 
Casa Comercial do Senhor Jakob Gerhardt. Hoje por este local passa a BR 262, entre a ponte do Jucu e a Água Ingá, nas proximidades de Biriricas
 
 
Para chegarem à Colônia de Santa Isabel, os colonos alemães utilizaram a antiga estrada de Minas e alguns trechos navegáveis do Rio Jucu, por onde foram as mulheres e crianças. Através das fotos aqui publicadas e feitas em 1860 pelo fotógrafo suíço, Victor Frond, por ocasião da visita de D. Pedro II, vê-se perfeitamente a estrada cortando as propriedades dos colonos, inclusive em frente à casa do Diretor da Colônia, Dr. Adalberto Jahn, e que seguia em direção ao Morro do Chapéu (ver página 79 do livro Viagem de D. Pedro II ao Espírito Santo, de Levi Rocha).
 
 
Casa do diretor da colônia, hoje propriedade da família
Venturim, no Vivendas do Imperador
 
 
“30-01-1860 6 menos 10 - Casa do diretor bem arranjada. Há um caminho para frente e prazos entre os quais os dos Sardos até a passagem do Morro do Chapéu num braço, ao norte do Jucu, na extensão de três, mas não fui lá por bastante incomodado do estômago. Era caminho para Minas. Os colonos já negociavam com os mineiros atravessando numa canoa no Morro do Chapéu.” 
 
Ainda existe no Morro do Chapéu, entre as propriedades de Cristiano Bruske, Theodoro Shwambach e Jorge Luis Bringer, vestígios de uma antiga ponte sobre o Rio Jucu, que foi utilizada pelos tropeiros na estrada mencionada.
 
Campinho, onde os luteranos se estabeleceram mais tarde, com certeza era uma referência para os tropeiros rancharem, na época em que a referida estrada era mais utilizada, devido ser o único local mais plano entre as montanhas. 
 
Daí, chega-se quase à conclusão de que essa denominação Campinho à cidade de Domingos Martins foi dada pelos tropeiros como um bom lugar para descansarem no grande percurso que faziam desde Ouro Preto até Vitória. 
 
Existem ainda pessoas que se referem a este local como “Campinhoberg”, quando o diálogo é em língua alemã e o assunto se refere à Igreja Luterana, porque na época em que o idioma oficial da colônia era o alemão, o local também era conhecido como Igreja do Campinhoberg, ou seja, a Igreja no Morro do Campinho.
 
 
BIBLIOGRAFIA
 
Biografia de uma Ilha
Pacheco, Renato - Conflito nas Colônias Agrícolas Espírito-Santense
1827-1882
 
Rocha, Levi – Viagem de Pedro II ao Espírito Santo
Rio de Janeiro – Brasil- 1860
 
Tschudi, Johann Jakob Von – Viagem à Província do Espírito Santo
Imigração e Colonização Suíça
Traduzido do alemão
 
Frond, Victor – Fotografias do Espírito Santo feitas em 1860 coincidindo com a visita de D. Pedro II. As fotos foram publicadas na tradução feita do livro de Autoria de Tschudi
 
História Oral – Entrevistas feitas por Joel Guilherme Velten e Roberto Anselmo Kautsky com pessoas que vivenciaram a estrada no século XX.
 

 

 

 

 

Marcos Evangelista

17/06/2010
12h02

Parabéns, Professor Joel, pelo seu trabalho. Por favor continue nos brindando com suas excelentes pesquisas, que são de grande valor para todo o povo do Espírito Santo e, principalmente, de Domingos Martins.


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humberto

14/07/2010
17h42

fiquei linsongeado,por ser um decendente dos westpal schamidt,minha família veio da alemanha baixa,hoje pertence a polonia, foram expulsos de suas terras e eviados ao Brasil,pertencemos aos amishies,menonitas,hoje este pouco restam nos charcos paraguayos e bolivianos,tambem em santa maria do jetibá e santa leopoldina,em santa catarina e um pouco se juntaram aos russos em goias,povo trabalhador,festeiro e economico,dai viva os imigrantes alemãoes.


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wilson antonio da silva

16/10/2010
17h55

Eu conheco a cidade tem 22 anos, esta de parabens. ja faz 8 anos que eu moro aki, so conhecido como mineiro do queijo. um abraco atodos.


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Altair Malacarne

15/11/2010
10h47

Muito interessante. Parabéns, Joel.


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